"Residual" no privado e "reduzida" no público. Ministra faz balanço da greve geral
- 03/06/2026 16:53
- Redação
"Residual" no setor privado e "reduzida" no setor público, mas com "prejuízo" para muitos portugueses. É este o balanço da greve geral desta quarta-feira feito pela ministra do Trabalho e da Segurança Social.
Maria do Rosário Palma Ramalho, em declarações na conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, fez uma leitura de uma dia de protesto convocado pela CGTP contra a reforma laboral.
Tendo por base dados junto das das confederações empresariais e de grandes empresas, a ministra afirmou que "algumas pessoas estiveram em greve no setor privado, mas numa percentagem bastante reduzida, e no setor público houve mais adesão”.
A governante desvalorizou a dimensão da segunda greve geral desde dezembro, mas ainda assim houve "prejuízos para as pessoas que queriam ir trabalhar e que não conseguiram, para as pessoas que queriam ir a uma consulta médica e não conseguiram, para os pais que queriam deixar as crianças na escola e não conseguiram”.
Para provar que a adesão à greve no setor privado foi "absolutamente residual", a ministra apresentou os dados relativos à indústria, "onde nenhuma fábrica parou nas principais áreas", ou dos hospitais normais, com "funcionamento absolutamente normal".
Nos transportes de passageiros e mercadorias também "nunca houve interrupção do funcionamento" e no comércio e retalho "todas as grandes superfícies abriram".
Segundo dados da Confederação de Turismo de Portugal, não houve adesão na área dos serviços hoteleiros nem na área das agências de viagem, e na restauração, "apenas 6% dos estabelecimentos tiveram que encerrar", de acordo com dados da AHRESP.
De acordo Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), "as grandes empresas agrícolas continuaram a laboral sem interrupção", sublinhou a ministra, e na construção civil a adesão foi "residual".
"Na banca e nos seguros, os dados que temos são dos maiores grupos privados e da Caixa Geral de Depósitos e também da Fidelidade, indicando que todas as agências e serviços funcionaram. No caso das seguradoras houve muito recurso a teletrabalho, mas também funcionou tudo", detalhou Maria do Rosário Palma Ramalho.
De acordo com a ministra do Trabalho, no setor público a adesão rondou os 23%, mas esta percentagem poderá incluir "trabalhadores na Administração Pública que trabalham muitas vezes remotamente".
Na esfera pública, os setores com mais adesão à greve geral foram a educação, a saúde e os transportes.
Na saúde, "só se realizaram 25% das cirurgias programadas e 72% das consultas programadas. Nos serviços de urgência tudo correu com normalidade a coberto dos serviços mínimos. O INEM teve uma taxa de adesão de 1,6%", indicou a ministra.
Na área dos transportes públicos, foram cancelados 49% dos voos previstos para esta quarta-feira e nos portos apenas "teve a sua atividade reduzida em 88%", disse a governante.
Relativamente aos de indicadores gerais da economia, “também apontaram para um dia de atividade económica normal", afirmou a ministra. "Os consumos de energia e gás não tiveram alteração, os movimentos de cartões de crédito e outros meios de pagamento eletrónico, segundo indicação da SIBS, não tiveram alteração e às 15h00 havia um acréscimo de movimento das duas pontes para a margem sul em 0,2%”, concluiu.