Palácio Nacional da Ajuda reabre este ano e vai revelar salas "fechadas ao público desde 1826"
- 03/06/2026 17:05
- Redação
O Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, está a ser requalificado e deve abrir até ao final do ano. As obras, financiadas pelo PRR, custaram mais de 12 milhões de euros.
As obras de conservação e restauro no Palácio Nacional da Ajuda (PNA), iniciadas há pouco mais de um ano, estão na reta final. O presidente do Património Cultural, Instituto Público (PC, I.P.), João Soalheiro, disse aos jornalistas que a intervenção é “multivetorial”, com vários espaços afetados.
“São várias empreitadas em simultâneo”, explicou, “a maior das quais nas coberturas”, numa área que contempla dez mil metros quadrados de telhas e onde o investimento ascende aos 6,5 milhões de euros.
Os trabalhos, que incidem ainda sobre a estrutura e as fachadas do edifício, vão permitir a abertura de três salas “fechadas ao público desde 1826”, como o ateliê do rei D. Luís, afirmou Soalheiro.
“Estamos também a intervir nos sanitários de todo o equipamento museológico, no museu propriamente dito e em várias áreas funcionais”, acrescentou.
A obra, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), representa um investimento de 12,8 milhões de euros e tem de estar concluída antes do final do verão. “Até ao final de agosto, nós teremos o PRR integralmente cumprido neste equipamento”, garantiu o presidente do PC, I.P.
Numa fase inicial, o orçamento previsto para a empreitada era de cerca de 4 milhões de euros, mas devido a “reafetações e reajustes”, o valor mais do que triplicou.
“O Museu Nacional de Arqueologia chegou a ter um financiamento programado de 32 milhões de euros”, esclareceu João Soalheiro, “mas era impossível executar esse montante dentro do prazo do PRR”. Isso levou à deslocalização de “parte do financiamento que não se conseguia executar para outros equipamentos”, como o PNA.
Além de “todos os telhados e saguões estarem a ser renovados”, o historiador adianta que os trabalhos de requalificação incluem “salas que nunca tiveram intervenção e algumas que nem eletricidade tinham”. Uma delas fica no topo do Torreão Sul, “que nunca chegou a ser utilizado” e onde “o estado de degradação” estava muito avançado.
“Todos estes trabalhos de conservação e restauro são fundamentais para preservar este património e, sempre que possível, mostrá-lo ao público”, asseverou o diretor do PNA. “Que fique para muitas gerações e, acima de tudo, que não caia na ruína e não se perca”, rematou.
O Palácio da Ajuda começou a ser construído no início do século XIX e passou a ser a residência oficial da família real portuguesa a partir do reinado de D. Luís I. Com a Implantação da República Portuguesa, em 1910, o edifício foi encerrado até à sua reconversão em museu, que abriu as portas em 1968.