Grupo Vita vai ao Vaticano mostrar preocupação com arquivamento de denúncias de abusos
- 04/06/2026 05:32
- Redação
De acordo com a responsável, a ideia é levar à “Tutela Minorum um conhecimento mais claro e atualizado do que está a ser feito em Portugal”, mas também “falar das dificuldades e desafios” e manifestar “preocupação pelo arquivamento de alguns casos”. “Sabemos que, de facto, não é a Tutela Minorum que toma decisões sobre processos concretos, e sim o Dicastério para a Doutrina da Fé, mas queremos levar também à Tutela Minorum um conjunto de preocupações relacionadas com alguns casos concretos, que têm vindo a ser, naturalmente expostos ao Dicastério, como está previsto, e que muitas vezes terminam de facto numa decisão de arquivamento, sendo que, de uma maneira geral, essas decisões de arquivamento não nos trazem fundamentação, essa fundamentação é nos omissa”, descreve.
Rute Agulhas pretende “mais rigor e clareza” na avaliação desses processos que acabam arquivados pelo Dicastério para a Doutrina da Fé.
A coordenadora do Grupo Vita sublinha que “são processos que, aqui em Portugal, tudo levava a crer que não haveria um arquivamento”, e que depois “veem arquivados de Roma”. “E, portanto, queríamos pedir também mais transparência, mais rigor também, mais clareza na avaliação dos processos e depois também na devolução de informação, porque é difícil gerir a frustração de muitas vítimas e sobreviventes, que não conseguem compreender esses arquivamentos”, acrescenta.
A reunião com a Tutela Minorum, está prevista para a manhã do dia 18 de junho, e de acordo com Rute Agulhas, o Grupo Vita também fez chegar ao Dicastério para a Doutrina da Fé um pedido de encontro. Ainda assim, a responsável adianta que “o Dicastério para a Doutrina da Fé tem comunicado sempre por correio físico”, e por isso refere que é incógnita saber “se vamos conseguir em tempo útil uma reunião”.
“Vamos por isso deixar estas nossas preocupações na Tutela Minorum, sabendo que eles depois as vão transmitir ao Dicastério. E de qualquer das formas vamos um conjunto de informação físico, em papel pronto para ser deixado no Dicastério para ser apreciado”; reforça.
Por essa altura, em Fátima, os bispos portugueses discutem a continuidade do Grupo Vita, ao fim de 3 anos de trabalho. Rute Agulhas tem a expectativa de que haverá continuidade: “A minha expectativa, fruto das reuniões que já temos tido com as Comissões de Diocesanas, com a Presidência da CEP, com o D. Virgílio Antunes, é de que haverá continuidade do Grupo Vita, ainda que a forma concreta de trabalho poderá ter de ser revista”.
A responsável sugere, por exemplo “uma forma de trabalho de maior articulação no dia-a-dia com as Comissões Diocesanas”.Rute Agulhas considera que “as comissões diocesanas têm tido um papel menos visível e é preciso dar visibilidade ao trabalho das comissões diocesanas, é preciso reconhecer esse trabalho, que é um trabalho muito válido, muito legítimo, pois são profissionais como nós”.
“É preciso trazer as comissões para mais projetos conjuntos connosco e também nós próprios podermos integrar um trabalho mais próximo das comissões. Acho que é esta sinergia, esse trabalho em equipa, que é preciso reforçar, ao mesmo tempo que se capacitam as comissões diocesanas em algumas áreas, mas também dar-lhes mais visibilidade”, acrescenta.