"Governo não deve concluir que a maioria está com o Governo no pacote laboral"
- 04/06/2026 06:51
- Redação
O social-democrata Duarte Pacheco considera que a menor adesão à greve no setor privado face ao registado em Dezembro não deve levar o Governo a concluir que a maioria dos portugueses está a favor da proposta do Executivo. No programa " Casa Comum", o ex-deputado do PSD considera que essa leitura é "extemporânea".
"Há pessoas que de facto não veem grande benefício, nem algo negativo na reforma, porque estão completamente alheadas do processo. Mas há outras que até estão envolvidas, que podem ser críticas, mas que acompanharam os argumentos da UGT", adverte Duarte Pacheco contra a "ilação de que a maioria do povo português está de acordo com as posições do Governo nesta matéria".
Já a deputada socialista Mariana Vieira da Silva recusa a leitura de uma greve sem efeitos no setor privado. "Não podemos dizer que não há um efeito no setor privado quando a Autoeuropa decidiu aderir à greve por unanimidade. Uma empresa, aliás, onde os bancos de horas, negociados coletivamente, e que a lei já prevê, são uma regra há muitos anos".
A ex-ministra do PS ressalva que a greve é um direito de quem a escolheu fazer e de todos os que escolheram "não aderir neste momento, nomeadamente a UGT". A deputada socialista argumenta que o impacto político está associado a uma "incapacidade do Governo, muito significativa ao longo dos últimos meses, que prevejo que vá continuar".
Ressalvando que o Partido Socialista "nunca se coloca de fora" de qualquer discussão em sede parlamentar, Mariana Vieira da Silva clarifica que o PS não está obrigado a "qualquer cedência a uma agenda que não tem justificação, que não tem uma apresentação política de suas razões e que, aliás, à medida que a evolução da nossa economia nos últimos meses acontece, se prevê que possa ser aprovada no pior momento possível".
A deputada do PS argumenta que PSD e Chega estão cada vez mais alinhados no Parlamento nesta e noutras matérias.
"Estou muito curiosa para saber como é que o Governo vai reagir às posições completamente populistas e sem sentido do Chega. A perceção que tenho é de que está em curso um processo de consensualização alargadíssimo em várias matérias entre o PSD e o Chega", afirma Mariana Vieira da Silva no programa "Casa Comum".