Buscas no PS. Mariana Vieira da Silva aconselha reflexão sobre práticas de contratação pública
- 04/06/2026 06:41
- Redação
Independentemente da investigação judicial, a deputada socialista aconselha uma análise para "sabermos a todo o tempo e procurarmos ter a certeza que as melhores práticas, por exemplo no âmbito da contratação pública, estão a ser cumpridas".
A operação "Imergente" investiga a adjudicação de contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia, por suspeitas de crimes económico-financeiros. Em causa, de acordo com o Departamento de Investigação e Ação Penal Regional de Lisboa, estão factos relativos a adjudicações por autarquias, cujo valor global ascende a dois milhões de euros". Foram detidas 4 pessoas, incluindo um assessor do secretário-geral do PS. Dois vereadores socialistas na Câmara Municipal de Lisboa estão entre os arguidos do processo.
Para a ex-ministra, a investigação levanta reflexões que não devem "misturar dimensões judiciais com outras dimensões que, mesmo criticáveis, têm outras características e que podem ser melhoradas". A dirigente do PS refere-se " aquilo que a nossa ética nos impõe e que devemos cumprir para nós próprios" que não deve ser confundida com "acusações de redes criminosas que infelizmente, na maior parte das vezes, não tem sido possível provar".
A deputada do PS admite que o caso afeta também a imagem do Partido, mas confia nas explicações de José Luis Carneiro sobre as buscas à sede nacional do Partido. "De acordo com o secretário-geral, a entrada na sede nacional do Partido Socialista foi muito focada no seu trabalhador e até sobre operações que não tinham a ver com o tempo em que ele lá trabalhava", salienta Mariana Vieira da Silva.
" Fiquei surpreendida, naturalmente. Não poderia deixar de ficar. E estou muitíssimo pouco esclarecida quanto ao que está em causa", acrescenta a dirigente socialista, que critica ainda a dimensão mediática sobre uma investigação da qual tem escassas informações.
A deputada do PS critica " a forma como se atinge a credibilidade de instituições e de pessoas sobre operações que ainda não têm a investigação feita e que normalmente começam precisamente as investigações por estes processos", sublinhando que já deixou esta nota de desagrado em operações que envolveram outros partidos, como as buscas anteriores à sede do PSD ou mesmo a chamada "Operação Tutti Frutti", centrada em personalidades ligadas ao PSD em Lisboa.
" Vamos passar muito tempo a comentar um caso sobre o qual nada sabemos e depois dedicaremos muito pouco tempo aos processos quando são arquivados e as pessoas acabam por não ser acusadas. Entretanto passaram anos e anos das suas vidas com esta mancha totalmente desnecessária, porque as investigações hoje em dia podem ser feitas de outra maneira e sem este circo mediático em seu redor", sustenta a ex-ministra no programa "Casa Comum".
O ex-deputado considera que o Partido Socialista "fez aquilo que devia fazer, aliás como o PSD na altura também fez" ao manifestar completa cooperação com as autoridades para que se investigue tudo o que for necessário.