Envelhecimento é "bomba-relógio". Seguro pede "melhor resposta" do Estado
- 04/06/2026 15:05
- Redação
O Presidente da República avisou esta quinta-feira que o envelhecimento é uma "bomba-relógio" e que o Estado não pode continuar a remeter as suas obrigações para o setor social.
“A resposta ao internamento social nos hospitais só está a ser conseguida graças às camas disponibilizadas pelas Misericórdias. É mais uma vez o setor social a suprir o que o Estado não tem e é um situação que não pode ser aceite como um novo normal”, afirmou no seu discurso.
O Presidente da República lamenta uma "realidade que se repete" em Portugal. “Os mesmos problemas com o mesmo tipo de ausências e de soluções. É tempo e já vamos tarde para políticas estruturais estruturais que atenuem as consequências do envelhecimento populacional”, apela.
No discurso em Braga, António José Seguro defendeu ainda que os principais partidos políticos têm de se entender quanto às respostas a dar, nomeadamente na saúde e na segurança social, tendo em conta o envelhecimento da população.
"Os problemas mais relevantes exigem planeamento, estabilidade política e convergência entre as principais forças políticas", sublinhou.
Fazendo um retrato do país, Seguro lembrou, desde logo, que, segundo a OCDE, Portugal é o terceiro país da União Europeia com menos camas para idosos em lares.
"No setor privado, sem comparticipação, uma cama custa duas vezes e meia o valor de uma reforma média. Com as mensalidades dos lares a subir entre 200 e 250 euros num ano, esta é uma conta que não bate certo com o rendimento das pessoas e é uma conta que milhares de famílias portuguesas tentam fazer todos os meses, com angústia", afirmou.
Disse ainda que o panorama das residências seniores em Portugal acrescenta "mais um dado preocupante".
"A falta de lares e o aumento do número de idosos, além da pressão sobre os preços, estão também a aumentar as listas de espera", frisou, apontando que 70% das unidades estão totalmente ocupadas e com listas de espera, sendo que em 36% dos casos o tempo de espera ultrapassa os seis meses.
A estes dados, o Presidente juntou o agravamento da questão demográfica, com o "significativo envelhecimento" da população.
"Somos dos países mais velhos da Europa e a situação vai agravar-se nas próximas décadas. Em 2050, seremos o quarto país do mundo com maior proporção de população acima dos 65 anos", alertou.
Como consequência, frisou, a saúde e segurança social "vão estar fortemente pressionados".
António José Seguro disse que o "tsunami social que aí vem não se enfrenta com improvisação", mas sim de uma evolução que depende de todos, desde as misericórdias ao Estado, passando pelas famílias e pela sociedade.
"Contem com o Presidente da República como aliado nesse caminho, como uma voz que amplifica as vossas causas, que nomeia as vossas dificuldades e lembra ao Estado o cumprimento das suas obrigações", disse ainda.