Cuidados Paliativos. "Precisamos de ações, precisamos de mudança efetiva"
- 05/06/2026 01:00
- Redação
A presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP), Catarina Pazes, pede ação à ministra da Saúde.
No dia em que arranca o primeiro Congresso Internacional de Espiritualidade em Cuidados Paliativos, a presidente da APCP defende que, independentemente do Governo, é preciso mudar as prioridades no acesso.
Catarina Pazes adianta que a ministra da Saúde, nos contactos que mantém com a associação, “sempre referiu os cuidados paliativos como uma área importante e prioritária”, mas afirma que “seja qual for o governo, seja qual for o conjunto de deputados”, o que o que é preciso é que “quem decide e quem tem responsabilidade política assuma o compromisso de ir para a ação”.
“Para além daquilo que é dito, nós precisamos de ações e precisamos de ter priorização deste tema e precisamos de mudança efetiva no nosso dia-a-dia enquanto profissionais. Sem isso, não conseguimos confiar que, de facto, haja a mudança que foi anunciada”, sublinha.
Para “dar voz aos cidadãos”, a APCP lançou uma petição para exigir o urgente reforço dos cuidados paliativos em Portugal. Nesta altura, a petição já conta com mais de 6.700 assinaturas e Catarina Pazes insiste no apelo para que as pessoas assinem o texto porque este “é um tema que ultrapassa os profissionais e as equipas que trabalham no sector”.
“É mesmo um tema da sociedade e a sociedade deve mobilizar por ele”, acrescenta.
O texto que promove a petição adianta que, em Portugal, mais de 150 mil pessoas vivem anualmente com sofrimento associado a doença grave, progressiva e incurável. Destas, entre 70 a 85 mil morrem todos os anos com necessidade de cuidados paliativos.
A estas juntam-se ainda milhares de crianças e jovens — cerca de 12 mil — com doenças complexas que beneficiariam deste acompanhamento especializado.
Catarina Pazes considera, por isso, ser urgente reforçar este serviço porque "todos merecem viver com dignidade até ao último momento.
Esta sexta-feira e sábado, vai decorrer em Bragança, o primeiro Congresso Internacional de Espiritualidade em Cuidados Paliativos. Uma iniciativa que pretende valorizar a importância da espiritualidade no cuidado.
“Estar e cuidar num contexto de cuidados paliativos e assumindo neste processo de cuidar os pontos essenciais da qualidade de vida, do sentido da vida, do sentido da existência, todo esse contexto pode trazer de uma forma ainda mais forte a dimensão espiritual como necessária no cuidado e na reflexão que temos uns com os outros, entre equipa e doente e família”, refere Catarina Pazes.
Este primeiro congresso de espiritualidade em cuidados paliativos é uma primeira experiência e logo a nível internacional para tratar desta questão que também torna ainda mais relevante o encontro de Bragança.
A responsável revela que “dentro da associação nós temos um grupo de trabalho na área da espiritualidade que tem desenvolvido ao longo de muito tempo muitas iniciativas, cursos básicos, workshops, residenciais, espiritualidade em pediatria” e afirma que “chegou o momento, de dar este sinal de maturidade do grupo, mas também dos profissionais e de como os cuidados paliativos em Portugal têm evoluído”.
“Arriscarmos a fazer um congresso internacional exclusivamente para a questão da espiritualidade, é um sinal de que os profissionais dos cuidados paliativos estão a convidar-se uns aos outros para refletir sobre o tema, mas também a abrir espaço para todos porque o congresso é aberto às pessoas que queiram participar”, reforça.
“Estamos a falar de um tema muito humano e que se traduz nesta partilha de conhecimento, de ciência e ao mesmo tempo de um humanismo que é aquilo que nos caracteriza”, conclui.
O I Congresso Internacional de Espiritualidade em Cuidados Paliativos vai decorrer esta sexta e sábado, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do IPB, em Bragança.