Seguro quer ter um estilo próprio: ouvir, sem saltos e discreto

  • 06/06/2026 12:49
  • Redação

António da Silva Martins está junto às baias, curioso para ver António José Seguro. Gosta quando os políticos portugueses cá vêm: "Sentimos que há qualquer coisa da nossa terra que vem aqui".

Mora no Luxemburgo há 35 anos, mais de metade da sua vida. Este emigrante pede ao novo Presidente da República que "ajude um bocadinho as comunidades" e deixa um desabafo: "Que se lembrem de que existimos; não somos portugueses de segunda".

A terceira deslocação oficial de António José Seguro é ao país que tem os portugueses como a maior comunidade estrangeira. Mais de 20% da população tem nacionalidade portuguesa. É uma vantagem: há muita gente que quer vê-lo.

"E salta António, e salta António, allez, allez", gritavam quando o Presidente da República chegou a Dudelange, uma cidade do Luxemburgo, a sul da capital, com 20 mil habitantes. Destes, 4 mil são portugueses.

António José Seguro não saltou. Não é um Presidente de continuidade, nem quer ser confundido com o estilo de Marcelo Rebelo de Sousa.

O novo chefe de Estado esteve largos minutos à conversa com emigrantes portugueses que esperavam por ele. Distribuiu cumprimentos, tirou fotografias e seguiu a sua linha: próximo, mas discreto.

As bandeiras portuguesas cobrem a maior parte das baias que delimitam o recinto. Está a decorrer um arraial de Santo António nas imediações: há bifanas, mesas corridas de madeira e triângulos coloridos decoram o topo do espaço. Quem por ali passa pode achar que está em Portugal. É apenas mais uma prova de que os portugueses levam um pouco de si para onde quer que estejam.

António José Seguro elogia isso mesmo. Pergunta a vários emigrantes de que parte de Portugal são e como conseguem manter um português tão fluente. Quer cumprir aquilo que promete constantemente: ouvir.

O primeiro-ministro chegou ao país ao final da tarde de sábado, mas só no domingo tem agenda pública com o Presidente da República, naquela que é a primeira visita oficial que realizam em conjunto. A deslocação assinala também o início das celebrações do 10 de Junho, Dia de Portugal.

António José Seguro tropeça em portugueses. Junto ao centro da cidade do Luxemburgo, o Presidente para para ouvir um grupo coral de músicas antigas da cultura luxemburguesa. Os elementos estão trajados com roupas de época. No fim, o Chefe de Estado aplaude e uma mulher denuncia a sua nacionalidade.

"Prazer em conhecê-lo, é muito bem-vindo", afirma Paula, que vive no país há 55 anos. Não se esqueceu da língua, e o Presidente evidencia isso mesmo: "Mas continua a falar perfeitamente português".

A mulher sorri e garante que assim continuará no futuro: "Quero continuar a falar português". Paula assume o espanto por ver o Presidente por estas bandas: "Foi um prazer. Nunca pensei vê-lo. Eu não o conhecia assim tão bem." Seguro dá dois beijinhos e segue caminho.

As interações procuram transmitir proximidade às pessoas, mas com um estilo mais institucional, menos espontâneo e irreverente do que o do seu antecessor, Marcelo.

O lado protocolar é seguido à risca pelo Presidente português. As horas são para cumprir, o programa para completar. Só Xavier Bettel, ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-primeiro-ministro — que já foi primeiro-ministro — o desviou do meticuloso trajeto.

Entraram num café e Bettel convenceu Seguro a provar umas madalenas. O Presidente experimentou a pastelaria e reagiu: "São fantásticas".

A relação do Presidente com os jornalistas também é protocolar. Seguro fala à comunicação social quando define o momento para isso e escolhe cirurgicamente os temas sobre os quais quer — e não quer — falar.

  • Fonte: Rádio Renascença
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