Misericórdias querem plano nacional para enfrentar envelhecimento e reforçar parceria com o SNS

Misericórdias querem plano nacional para enfrentar envelhecimento e reforçar parceria com o SNS

  • 06/06/2026 14:56
  • Redação

As Misericórdias Portuguesas encerraram esta sexta-feira, em Braga, o 15.º Congresso Nacional das Misericórdias com um conjunto de prioridades estratégicas para o futuro da ação social e da saúde, destacando a necessidade de uma resposta estruturada ao envelhecimento da população e o reforço da cooperação entre o Estado e o setor social.

Dedicado ao tema “A atualidade de uma evolução segura”, o encontro reuniu centenas de representantes das Santas Casas e serviu também para assinalar os 50 anos da União das Misericórdias Portuguesas (UMP).

Nas conclusões do congresso, a UMP sublinha a necessidade de uma maior articulação entre os serviços públicos da saúde e da segurança social, tendo em conta o impacto crescente do envelhecimento nas instituições.

Entre as medidas defendidas está a reformulação e expansão do apoio domiciliário, assegurando respostas permanentes, “24 horas por dia, sete dias por semana”, para permitir que os idosos permaneçam nas suas casas “com segurança e dignidade”.

As Misericórdias defendem ainda a implementação de programas de reabilitação dos lares existentes e a expansão da rede, de forma a evitar “a proliferação de respostas informais e ilegais”.

A conclusão da rede de creches, a clarificação da resposta no pré-escolar e o reforço das políticas de apoio à deficiência surgem igualmente entre as prioridades.

Na área da saúde, o congresso reafirmou as Misericórdias como “parceiros indispensáveis do sistema de saúde”, destacando o seu contributo para uma resposta de proximidade, humanizada e integrada.

Os participantes defenderam a valorização da complementaridade com o Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente através da redução das listas de espera e da melhoria do acesso a consultas, cirurgias e meios complementares de diagnóstico.

Outra das preocupações apontadas foi o reforço da Rede Nacional de Cuidados Continuados e o desenvolvimento da Rede Nacional de Saúde Mental, face ao aumento das necessidades associadas ao envelhecimento e às doenças crónicas.

O setor considera também urgente resolver o problema das altas hospitalares, através da criação de respostas de retaguarda adequadas e sem burocracias.

O património histórico das Misericórdias esteve igualmente em destaque. As conclusões reconhecem este património como uma expressão identitária das instituições e defendem a criação de mecanismos de financiamento que permitam a sua preservação e valorização.

O documento salienta ainda o património como ativo económico relevante para o turismo e para o desenvolvimento das comunidades locais.

O congresso sublinhou o papel determinante das Misericórdias na coesão territorial, sobretudo nas regiões do interior, onde são frequentemente o principal empregador e suporte social.

Foi igualmente destacada a importância da qualificação e valorização dos recursos humanos, bem como da inovação e da digitalização, que devem evoluir “com uma forte dimensão ética e sempre centradas na pessoa”.

As Misericórdias reafirmaram ainda a sua disponibilidade para aprofundar a cooperação com o Estado, autarquias e restantes setores da sociedade, em prol do bem comum.

Durante a sessão de encerramento foi homenageado António José Freitas, distinguido como Grande Benemérito da UMP – Grau Ouro.

A distinção reconhece o apoio prestado às Misericórdias portuguesas em momentos críticos, como os incêndios de Pedrógão, a pandemia de Covid-19 e os estragos provocados por uma tempestade na região Centro, num apoio global de cerca de 300 mil euros destinado à recuperação de equipamentos em 17 instituições.

No final do congresso foram ainda condecorados vários provedores, em reconhecimento pelo seu empenho e dedicação às comunidades que servem.

  • Fonte: Rádio Renascença
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