Portugal tem de ter voz ativa em Bruxelas para evitar filas nos aeroportos no verão, defendem companhias aéreas

Portugal tem de ter voz ativa em Bruxelas para evitar filas nos aeroportos no verão, defendem companhias aéreas

  • 06/06/2026 18:08
  • Redação

A RENA - Associação das Companhias Aéreas em Portugal aplaude as medidas para minimizar os constrangimentos no controlo de fronteiras dos aeroportos, mas alerta que o problema pode regressar no verão e que Portugal deve assumir uma voz ativa em Bruxelas.

Ao podcast da Lusa, o LusaExtra, o diretor executivo da RENA, António Moura Portugal, elogia o reforço de meios humanos e materiais promovido pelo Governo e pela ANA - Aeroportos, mas alerta que Portugal deve preparar desde já uma segunda fase de resposta para os meses de julho e agosto.

"Melhorámos, estamos bem no momento, mas agora isto não é para ficar a dizer 'ok, está resolvido e nada a fazer até vir a próxima onda', porque ela virá", considerou o responsável da RENA.

Moura Portugal defendeu que Portugal deve continuar a acompanhar de perto a evolução do processo e assumir uma posição ativa em Bruxelas, procurando garantir soluções que evitem a repetição dos constrangimentos no período de maior procura turística.

Defende, por exemplo, que Portugal lidere, junto das instituições europeias, a defesa da manutenção de mecanismos de flexibilidade para evitar novos episódios de congestionamento no verão, altura em que acredita que a pressão nos controlos fronteiriços voltará a aumentar.

Nos últimos meses registaram-se longas filas de espera nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro — sobretudo na capital — devido aos constrangimentos causados pela entrada em vigor do sistema digital Entry Exit System (EES), que regista eletronicamente a entrada e saída de cidadãos de países terceiros no espaço Schengen, substituindo os carimbos manuais por registos biométricos e digitais.

No final de maio foram implementadas mais boxes e mais "e-gates", além do reforço dos meios humanos para o controlo de passaportes.

Está ainda prevista, como medida de contingência, a possibilidade de se suspender pontualmente a recolha de dados biométricos (impressões digitais e reconhecimento facial) dos passageiros, cabendo à autoridade de fronteira, neste caso a PSP, avaliar a necessidade de recorrer a este mecanismo.

O EES está a funcionar a 100% desde 10 de abril e, desde então, tal como avançou à Lusa o porta-voz da Polícia de Segurança Pública (PSP), esta tem recorrido à suspensão parcial da recolha dos dados biométricos em "circunstâncias excecionais", nomeadamente quando "o tempo de espera num posto de fronteira aérea se torne excessivo".

"Ainda que tenham natureza excecional, a PSP admite recorrer, sempre que necessário, durante o período inicial previsto de 90 dias e complementar de 60 dias, às medidas previstas em regulamento tendentes a garantir um equilíbrio entre segurança das fronteiras externas e tempos aceitáveis de espera", afirmou Sérgio Soares.

Assim, na quinta-feira, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, disse à Lusa, no Luxemburgo, estar mais otimista quanto à possibilidade de um verão sem problemas nas fronteiras dos aeroportos.

Por seu lado, as companhias aéreas consideram que as medidas tomadas "foram muito positivas", mas defendem que é necessário ir mais longe.

"Em julho acaba-se, segundo o regulamento, essa possibilidade, já muito limitada, das suspensões serem só de seis horas. E, portanto, (...) é importante preparar já o passo seguinte", insiste Moura Portugal, explicando que um desses passos deve passar por Portugal "pressionar" e defender a manutenção da flexibilidade que permite aos Estados-membros suspender temporariamente o sistema.

António Moura Portugal considera ainda fundamental que Portugal esteja na linha da frente das negociações europeias e que, quando se deslocar a Bruxelas, esteja "preparado em termos de documentação e de discurso para dizer: atenção que isto está a correr mal e nós estamos a ser altamente penalizados com isto".

"Não pode haver silêncio, não pode haver um não assumir a liderança num dossier que é fundamental para a nossa economia [o turismo é um dos principais motores de crescimento do PIB] e deixar isto entregue a outros", conclui.

  • Fonte: Rádio Renascença
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