Como vai funcionar a centralização dos direitos televisivos do futebol?
- 08/06/2026 13:16
- Redação
Os clubes da primeira e da segunda liga passam a negociar em conjunto os contratos de transmissão televisiva dos jogos. Foi aprovada a venda centralizada destes direitos, substituindo o modelo atual, em que cada clube negocia individualmente os valores que recebe das operadoras.
A proposta apresentada pela Liga Portugal foi aprovada por cerca de 80% dos votos dos 33 clubes que participam nas competições profissionais masculinas. A Liga considera esta decisão um passo importante para o futuro do futebol português.
Tem sido um processo de que temos sempre ouvido falar. Há quanto está pensada uma mudança do sistema?
A centralização dos direitos televisivos resulta de uma obrigação legal. Um decreto-lei aprovado em 2021 determina que este modelo entre em vigor até à época 2028/29.
Segundo a legislação, o objetivo é aproximar Portugal da realidade de várias ligas europeias, promovendo uma distribuição mais equilibrada das receitas e aumentando a competitividade entre clubes com diferentes capacidades financeiras.
O modelo aprovado estabelece uma diferença significativa entre os dois escalões profissionais. Noventa por cento das receitas serão atribuídas aos clubes da primeira liga e os restantes 10% aos clubes da segunda liga.
Cerca de 33% do valor arrecadado será dividido de forma igual por todos os clubes.
A maior parcela, aproximadamente 44%, terá em conta a classificação final de cada equipa, o histórico de resultados e a contribuição para o ranking europeu da UEFA.
Três por cento serão atribuídos de acordo com as condições oferecidas para as transmissões televisivas.
Por fim, 1% terá em conta fatores como a qualidade do relvado, a iluminação dos estádios e as condições de trabalho disponibilizadas aos órgãos de comunicação social.
É preciso fazer muitas contas para chegar aos valores finais. Já se sabe quanto pode estar em causa?
No entanto, o modelo prevê um mecanismo adicional caso esse valor seja ultrapassado. Se as receitas totais ficarem acima dos 250 milhões de euros e até ao limite de 275 milhões, metade desse montante excedente será distribuída pelos três clubes que mais contribuíram para o ranking da UEFA.
Os clubes com maiores receitas televisivas, como Benfica, Sporting e FC Porto, podem ser os mais penalizados pelo novo modelo, uma vez que passam a partilhar receitas que poderiam negociar individualmente. Por essa razão, têm demonstrado maiores reservas em relação ao processo.
Já os restantes clubes, sobretudo os de menor dimensão, tendem a beneficiar da venda conjunta dos direitos televisivos. A centralização permite-lhes aceder a receitas que dificilmente conseguiriam obter através de negociações individuais.
O Nacional da Madeira apresentou uma proposta alternativa, que favorecia ainda mais os clubes mais pequenos, mas a iniciativa não reuniu apoio suficiente para ser aprovada.