"Junto à grade, não havia sequer uma saída de emergência". Acumulam-se queixas contra North Music Festival, que levou The Cure à Maia
- 09/06/2026 13:10
- Redação
“Na parte da frente, junto à grade, não havia sequer uma saída de emergência, de segurança, uma porta", afirma Vítor. "Os bombeiros tiveram de dar a volta, atravessar a multidão para prestar auxílio à pessoa, sendo que estavam a centímetros da mesma”, assegura o espectador.
Reclamações como esta multiplicam-se no Portal da Queixa, bem como nas redes sociais, assinadas por quem frequentou o North Music Festival, na Maia, para assistir ao concerto da banda The Cure. Nesse último dia de festival, com os bilhetes esgotados já há bastante tempo, esperava-se uma enchente de espectadores.
Mesmo antes de o espetáculo da banda britânica começar, eram milhares aqueles que se aglomeravam no recinto. A elevada quantidade de pessoas, a falta de sinalética e de assistentes no recinto — e nas proximidades do mesmo —, bem como as fracas condições de acessibilidade e de segurança da zona dos WC, das saídas e entradas ou da zona de restauração, são motivo das reclamações de muitos espectadores.
“Sem indicações, sem orientações... Faltava muito isso, era quase por intuição que estávamos a chegar ao local", acrescenta Vítor Guimarães. "Não havia ninguém para pedir uma indicação.”
Já o vereador Hernâni Ribeiro afirma que “todos os pontos de evacuação estavam devidamente sinalizados e que em cada um deles existia um [elemento da] PSP e um assistente do recinto, para dar qualquer informação que fosse necessária”.
O relato de Vítor é bem diferente: ao entrar no festival, conta que se deparou de imediato com uma multidão compacta, que se aglomerava na zona de restauração, no extremo oposto ao palco.
“Logo na entrada do recinto, uma entrada muito afunilada, com muita gente ali apertada. Toda a gente foi [encaminhada] por uma escadaria muito estreita da bancada. Qual não foi o nosso espanto... Fomos ter à zona da restauração, onde tínhamos as filas à nossa frente e onde se acumulava mais gente”, explica Vítor Guimarães.
“Todos os planos de segurança necessários estavam aprovados, bem como a lotação prevista para o concerto", reponde a autarquia, assegurando que "tudo estava contemplado e tudo o que foi exigido pelas entidades competentes estava no local”.
Hernâni Ribeiro argumenta que a “perceção das pessoas” terá sido afetada também por outros problemas identificados, desde as condições das casas de banho (onde, à hora do concerto dos cabeças de cartaz, já não havia água para lavar as mãos) à “questão dos cartões de pagamento”.
Para comprar bebidas ou merchandising era obrigatório adquirir um cartão — semelhante a um cartão de crédito —, com um custo de ativação de 1,45€, e ir carregando com saldo pré-pago — e não reembolsável.
No que diz respeito ao número total de pessoas que passaram pela Cidade Desportiva da Maia a 7 de junho, o vereador da Câmara Municipal da Maia diz que o recinto "estava preparado para receber 35.000 pessoas" e que "no domingo entraram cerca de 32.000 pessoas no festival".
Hernâni Ribeiro admite não foi assegurada uma boa experiência aos festivaleiros. “Esta questão das 35 mil pessoas no último dia, pronto, penso que houve uma ou outra questão que devia estar melhor salvaguardada e que não estava. E que acabou por fazer com que as pessoas não tivessem a melhor experiência possível.”
“Notava-se alguma agitação, no sentido de as pessoas terem aquela noção de que estavam a ficar demasiado apertadas”, recorda Vítor Guimarães, que não duvida: “Foram demasiadas pessoas para o espaço e com pouca oferta para aqueles bens mais essenciais num festival e num concerto, que toda a gente quer”.