Drogas combinadas e mais potentes. A Europa está a enfrentar uma nova crise?
- 09/06/2026 14:15
- Redação
O consumo de drogas continua a aumentar no espaço europeu, avançou o novo relatório europeu publicado esta quarta-feira.
Entre as novas conclusões, sabem agora novos riscos para a saúde dos europeus que consomem drogas ilícitas, como cocaína e drogas sintéticas.
Este é um relatório que toma em consideração 29 países. Os 27 que compõem a União Europeia, a que se juntam a Noruega e a Turquia.
O documento foi publicado esta quarta-feira pela Agência da União Europeia sobre Drogas, que alerta para o aumento do consumo de drogas na Europa.
Com redes de tráfico mais profissionalizadas e novas drogas a surgir todas as semanas, os riscos para a saúde aumentam.
A aposta na prevenção, nos tratamentos e na reintegração social são indicados como o caminho para resolver este flagelo.
A canábis é a droga ilícita mais consumida na Europa segundo estes dados. A estimativa aponta para que só no ano passado quase 25 milhões de europeus tenha consumido esta droga entre os 15 e os 64 anos.
A canábis é a responsável por 33% dos tratamentos de toxicodependência na Europa. Serão mais de 100 mil utentes de acordo com este estudo.
O consumo de cocaína continua elevado na Europa, estando também a aumentar o número de tratamentos relacionados com esta substância. Em 2025, os números apontaram para que mais de quatro milhões de pessoas tenham consumido cocaína no continente europeu.
Um novo fenómeno vai também emergindo na vida noturna e entre o meio juvenil: a cetamina, em pó inalado. Esta droga é descrita como um medicamento utilizado para anestesia e alívio da dor, que está a ser consumido de forma abusiva como substância psicoativa.
A maior parte da cetamina apreendida na Europa tem origem na Índia e entra no continente europeu pela Alemanha.
A entrada é feita por meios lícitos, através de farmácias, mas o produto acaba depois por ser desviado para canais ilícitos – um caminho que dificulta muito as apreensões.
O policonsumo é cada vez mais comum. Os utilizadores estão a combinar cada vez mais as drogas que consomem. Ou seja, em vez de tomarem apenas uma, fazem misturas.
Além disto, o número de drogas está a crescer a um ritmo alto. Uma vez por semana é detetada uma nova substância psicoativa.
Neste momento, a Agência da União Europeia sobre Drogas monitoriza 1.050 substâncias. Só em 2025 foram acrescentadas a esta lista 50 tipos de novas drogas.
Os riscos são maiores devido à gama de substâncias disponíveis estar mais diversificada e à alta frequência com que as drogas identificadas contêm elevada potência ou pureza.
No ano passado, 7.600 pessoas terão morrido por overdose nos países analisados. A maioria por consumo de várias substâncias e não de apenas uma.
No topo da lista – além da heroína –, surgem opioides sintéticos descritos como muito potentes e medicamentos para alívio da dor.
Os riscos crescem ainda mais se os produtos consumidos forem adulterados precisamente com sintéticos.
O relatório sublinha a rapidez com que os criminosos estão a conseguir adaptar-se aos esforços das autoridades.
Para evitar serem detetados nas transações, a opção tem passado por importar droga através de portos mais pequenos e assim passam mais despercebidos.
Transferências de droga no mar que envolvem lanchas de alta velocidade ou semi-submergíveis são também uma opção mais frequente, tal como o uso de drones para monitorizar o espaço em redor.