"A obra de Antoni Gaudí quase que se confunde com a cidade de Barcelona"

"A obra de Antoni Gaudí quase que se confunde com a cidade de Barcelona"

  • 09/06/2026 18:05
  • Redação

O presidente da Ordem dos Arquitetos (OA), Avelino Oliveira, considera importante que “as novas gerações possam revisitar Gaudí” e adianta ser “mais fácil entender hoje” o arquiteto catalão, o grande responsável pela construção da Basílica da Sagrada Família que o Papa Leão visita esta quarta-feira, em Barcelona.

"Hoje o seu desenho, as suas obras quase que se confundem com a cidade de Barcelona e confundem-se com uma determinada identidade de um determinado período de toda a Catalunha. Portanto, acho que sim, hoje é mais fácil de entender”, diz o presidente da OA.

Avelino Oliveira entende que, para além de uma melhor compreensão, obra de Gaudí “recolhe a adesão pelo menos da população espanhola, mas a sua influência também é visível em contextos de arquitetura por todo o mundo”.

“Já há muita dinâmica de estudo sobre as razões que o levaram a desenhar isto e aquilo e também sobre a sua exploração formal e arquitetónica”, acrescenta.

“Para nós, arquitetos que apreciamos Gaudi, a casa Batlló, a Casa Milà (La Pedrera) ou o Palácio Guel são mais identificativas do arquiteto. Essas ele iniciou e terminou em vida. A Sagrada Família é de Gaudí, mas é também da cidade e é um processo colaborativo, transformativo”, argumenta.

A visita de Leão XIV à Sagrada Família inclui uma descida à cripta onde repousam os restos mortais do arquiteto catalão, cujo processo de beatificação foi iniciado em 2025.

A 14 de abril de 2025, o Papa Francisco reconheceu as “virtudes heroicas” de Antoni Gaudí, que aceitou dirigir a obra da Sagrada Família no ano seguinte ao lançamento da primeira pedra, em 1883.

Na ocasião, o site do Vaticano lembrava que “a partir de então, passou toda a sua vida a construir o local de culto no qual manifestou o seu génio artístico, o seu sentimento religioso e a sua profunda espiritualidade”.

Depois de 43 anos de trabalho na Sagrada Família, na tarde de 10 de junho de 1926, pouco depois de sair do estaleiro, Antoni Gaudí foi atropelado por um elétrico e morreu devido aos ferimentos.

Em 2010, no dia 7 de novembro, o Papa Bento XVI presidiu à missa em que dedicou a Basílica da Sagrada Família, em Barcelona.

O “templo expiatório” – assim chamado porque é construído apenas com donativos privados – é uma igreja monumental iniciada em 1882, a partir do projeto do arquiteto diocesano Francisco de Paula del Villar (1828-1901), tendo sido Gaudí quem, a partir de 1883, lhe traçou um novo destino.

A construção, que ainda decorre, depende de uma junta, hoje transformada em Fundação, que tem como presidente o arcebispo de Barcelona.

A basílica conta com 18 torres: 12 campanários dedicados aos apóstolos (dos quais ainda faltam construir os da Glória) e seis cúpulas centrais (a torre de Maria, as dos quatro Evangelistas e a de Jesus Cristo, concluída este ano com a colocação da cruz).

O arquiteto José Manuel Almuzara foi quem iniciou em 2003 o processo, baseando a sua iniciativa no facto de Gaudí ter sido “um cristão exemplar, cuja fé profunda influenciou significativamente o seu trabalho”.

Contudo, a campanha para tornar Gaudí santo foi lançada muito antes, ainda em meados da década de 1990, quando Almuzara sugeriu que o arquiteto catalão seria um bom candidato à beatificação.

Na ocasião, o estudioso de Gaudí formou a Associação pela Beatificação. Um dos documentos-chave de todo o processo é a biografia de Antoni Gaudí, escrita pelo jornalista Josep Maria Tarragona.

  • Fonte: Rádio Renascença
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