EUA querem mostrar que "têm capacidade militar" com ataque contra o Irão, diz Miguel Baumgartner
- 09/06/2026 22:56
- Redação
O analista de assuntos internacionais Miguel Baumgartner admite que "depois do ataque ao helicóptero norte-americano, os Estados Unidos tinham que retaliar, porque tinham que mostrar que têm capacidade militar, e que não têm medo de enfrentar o Irão".
Os Estados Unidos atacaram vários alvos em território iraniano, durante a noite desta terça-feira, e Miguel Baumgartner avisa que as negociações entre Washington e Teerão "já entraram quase num beco sem saída".
Se, por um lado, o Irão "globalizou a guerra através da economia" através do bloqueio do Estreito de Ormuz, o analista entende que os Estados Unidos carregam o peso de lidar com o seu "aliado político, militar, económico e estratégico na região, que é Israel, já disse várias vezes, que não vai reconhecer nenhum acordo que não traga a capacidade de Israel se defender e se sentir segura em relação ao Irão".
Baumgartner descreve um cenário de impasse no Médio Oriente, porque "nem os Estados Unidos nem o Irão querem sair como perdedores desta guerra, e dar a ideia de que, de alguma forma, se rendeu ao outro" admite.
O analista prevê um processo negocial que "não vai acontecer porque nem as monarquias do Golfo, nem Israel, vão aceitar qualquer tipo de acordo que não seja algo sério e que traga segurança para a região, e o Irã não vai aceitar a questão do urânio enriquecido e não vai aceitar, de alguma forma, a ideia de que perdeu".
"As monarquias do Golfo começam a olhar para o Irão como um problema, porque o regime iraniano, parece estar mais forte e mais determinado" reflete o comentador, que refere a mudança de líder no país, depois de os Estados Unidos terem eliminado o antigo Aiatola iraniano.
Sobre as repercussões da ofensiva de Isael contra o Irão, e o envolvimento israelita nas negociações, Miguel Baumgartner admite que Israel "vai continuar a tentar demonstrar aos Estados Unidos de que o processo para a criação de paz, prosperidade e tranquilidade naquela região não vai acontecer enquanto existir um problema sério de instabilidade e de segurança criado pelo Irão", refere.
Para Israel, "o que despoleta e patrocina o terrorismo, a questão da instabilidade securitária na região, é o regime iraniano, isso está claro como água que Israel, enquanto não resolver esse problema, não vai parar esta guerra" diz Baumgartner.
Sobre um cenário de paz do lado norte-americano, o analista prevê duas hipóteses: "darem um passo atrás e darem ideia de que saíram derrotados, e que aceitaram qualquer acordo ou então, num momento oportuno, fazer um novo ataque conjuntamente com Israel e possivelmente com países da região, nomeadamente a Arábia Saudita, e intensificar o ataque na tentativa de criar uma cisão dentro do regime que possa permitir, por exemplo, um golpe de Estado, uma revolução que possa de alguma forma fazer cair o regime do Irão".