Se não tem tempo para estudar a lição, estas vão ser as seleções-surpresa do Mundial
- 11/06/2026 01:15
- Redação
Chegou o dia. A espera desaguou numa quinta-feira (estranho dia para se iniciar um Campeonato do Mundo, dirão os antigos), num dos palcos mais míticos do futebol mundial. O pontapé de saída para a 23ª edição do Mundial será dado num Azteca que já consagrou para a eternidade deuses omnipresentes como Pelé ou Maradona… e que tanto merecia receber nova final.
Como sempre antes destes torneios, é hora de fazer prognósticos. Nada de esotérico, mas sim puro e simples pragmatismo analítico, com base nos plantéis, rendimento, modelos de jogo, estruturas e passado recente nas maiores competições. Parece relativamente óbvio que a campeã mundial Argentina, a detentora do título europeu Espanha e outras gigantes como França e, num patamar ligeiramente mais baixo, equipas como Inglaterra, Portugal, Alemanha ou Brasil partem com fortes expectativas para o torneio intercontinental.
Entre as anfitriãs, o México parece a equipa mais completa e com uma maturidade competitiva superior. Javier Aguirre deu alguma estabilidade a um conjunto que ficou muito afetado pela eliminação na fase de grupos no Qatar, em 2022, e a equipa logo conquistou a Gold Cup, além de ter mostrado argumentos em particulares recentes face a equipas de proa (Portugal ou Bélgica).
Ainda assim, e tendo em conta o equilíbrio dos grupos das outras seleções organizadoras, não dá para descartar boas campanhas de EUA, com uma geração de enormes talentos, e Canadá, com Jesse Marsch a sustentar um 4-4-2 equilibrado e com várias individualidades interessantes do meio-campo em diante.
E agora assalta-me uma dúvida: será que podemos considerar Marrocos como uma possível revelação, depois do 4º lugar de há quatro anos? O estatuto saiu claramente reforçado do último Mundial, bem como a incrível qualidade individual do grupo marroquino (a Hakimi, Amrabat, Ounahi ou El Khannouss juntam-se agora Brahim Díaz, Saibari e uma data de jovens de talento desconcertante).
Mesmo assim, podemos olhar para o conjunto do Norte de África como uma das equipas fora da lista de seleções de topo com mais potencial para aparecer com regularidade em meias-finais (e quem sabe, algo mais…) ao longo das próximas décadas.
Ainda pelo Magrebe, a Argélia tem de ser também equacionada como uma potencial candidata a ir longe no torneio norte-americano. Apesar de alguma desilusão pela eliminação nos quartos de final da última CAN (face a uma forte Nigéria, baixa importante para este Campeonato do Mundo), a equipa orientada pelo helvético Vladimir Petković possui muitos argumentos técnicos (Mahrez, Maza, Aouar, Moussa…) e uma capacidade para erguer um jogo dominante, que pode sobressair frente a um adversário como a Jordânia e equilibrar a contenda perante a sempre apelativa Áustria de Ralf Rangnick.
Já o Grupo D, que tem também os Estados Unidos, integra uma das equipas europeias que gera maior entusiasmo neste momento, até pela chegada a um Mundial 24 anos depois. A Turquia é de Arda Güler e Kenan Yıldız na dimensão do talento ofensivo, mas a versatilidade tática de Montella e a experiência competitiva de boa parte do plantel otomano deixam-na como candidata a avançar até às eliminatórias.
No agrupamento seguinte, o E, existem até duas candidatas a equipa-revelação: Costa do Marfim e Equador. Os africanos ganharam a CAN 2023, competiram com qualidade na última edição do maior torneio africano e têm mostrado muita solidez recentemente (prova disso foi a vitória no particular face à seleção francesa).
Já a equipa equatoriana fez uma fase de qualificação praticamente irrepreensível, sobretudo a nível defensivo, e, apesar de necessitar de elevar o patamar criativo neste Mundial, apresenta uma geração de jogadores jovens que deixa promessas de um rendimento alto em solo norte-americano.
No Grupo F, sobressai a audaciosa seleção japonesa de Hajime Moriyasu, fiel ao 3-4-2-1, e que, apesar de algumas baixas consideráveis na lista final, apresenta um grupo extremamente fiável e uma ideia de jogo muito bem trabalhada, sustentada na classe de jogadores como Doan, Kubo ou Ueda e num modelo que alterna bem entre a pressão e a aceleração e fases de jogo em que impera uma troca de bola mais ponderada.
Não podemos deixar de destacar também a Noruega, equipa europeia com o crescimento mais sustentado dos últimos anos e com uma geração absolutamente brilhante (Haaland, Ødegaard, Bobb, Schjelderup ou Nusa, entre outros) e um Senegal que tem um misto de irreverência jovem e experiência no grupo de convocados que exalta as hipóteses de uma campanha a fazer lembrar 2002, ano em que bateram a França na fase de grupos e só pararam nos quartos de final.