Haiti obrigado a alterar camisola do Mundial por alusão a batalha

Haiti obrigado a alterar camisola do Mundial por alusão a batalha

  • 11/06/2026 03:15
  • Redação

O Haiti, que se estreia no domingo, foi forçado a alterar a camisola para o Mundial 2026, depois de a FIFA ter considerado que a atual contém elementos demasiado "políticos".

A notícia foi avançada pela própria fabricante dos equipamentos, a Saeta, num comunicado em que revela também que já efetuou as modificações pretendidas.

"O design final que a Saeta apresentou pretendia ser um tributo aos homens e mulheres que contribuem todos os dias para o futuro do Haiti e não era suposto ser uma declaração política. Durante o processo de revisão [das camisolas], a FIFA determinou que certos elementos visuais podiam ser interpretados de forma diferente, sob as suas regras para equipamentos, e acabou por requerer que fossem feitas modificações", lê-se.

Em causa uma imagem num dos cantos da camisola, alusiva à Batalha de Vertières, em que o Haiti conquistou a independência dos franceses. O líder revolucionário Jean-JAcques Dessalines, que se tornaria depois o primeiro imperador haitiano, arrancou a lista branca da bandeira francesa, criando uma nova bandeira para "a primeira república negra livre do mundo". O momento é comemorado anualmente no Dia da Bandeira no Haiti, a 18 de maio.

A Saeta diz que trabalhou durante meses com a Federação de Futebol do Haiti para criar "uma camisola que celebrasse o orgulho, a resiliência e o espírito do povo haitiano". Vários conceitos foram "desenvolvidos e afinados ao longo de vários meses" e submetidos à FIFA para aprovação.

O design final, com a imagem referente à Batalha de Vertières, entrou na camisola, que a seleção caribenha utilizou em amigáveis na última semana (diante de Peru e Nova Zelândia) e que esgotou no Haiti. À última hora, contudo, e a poucos dias da estreia do Haiti no Mundial 2026, diante da Escócia, no domingo, a Saeta foi obrigada a remover a iconografia em causa.

Nos seus regulamentos para equipamentos, a FIFA proíbe o uso de quaisquer "mensagens ou slogans políticos, religiosos ou pessoais" nas camisolas.

"Embora a interpretação da FIFA difira da nossa intenção, a Saeta respeitou o processo e implementou os requisitos finais comunicados pela FIFA. Continuamos orgulhosos por ter contribuído, juntamente com a Federação de Futebol do Haiti, para este momento histórico do futebol haitiano, e desejamos à equipa todo o sucesso no Mundial", pode ler-se na nota do fabricante.

As três versões do equipamento do Haiti, com a imagem alusiva à Batalha de Vertières no canto, estão esgotadas. A Saeta não colocou à venda a versão final, que o Haiti vai utilizar no Mundial. Já nas imagens oficiais de jogadores publicadas pela FIFA, a camisola haitiana aparecem sem a iconografia em causa.

  • Fonte: Rádio Renascença
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