Explosão de polvos nas águas do Reino Unido chega à Escócia e preocupa cientistas

Explosão de polvos nas águas do Reino Unido chega à Escócia e preocupa cientistas

  • 11/06/2026 07:51
  • Redação

Depois de terem sido registados números recorde de polvos em 2025 nas costas de Devon e da Cornualha, no sudoeste de Inglaterra, investigadores verificaram agora a sua presença em áreas muito mais extensas. Os avistamentos foram confirmados através de estudos científicos, monitorização subaquática e observações realizadas por mergulhadores e praticantes de snorkel.

Segundo Bryce Stewart, investigador sénior da Marine Biological Association e principal autor do estudo, trata-se da maior proliferação de polvos alguma vez observada na região. “Já assistimos a fenómenos semelhantes no passado, mas tudo indica que este é o maior de sempre”, afirmou ao The Guardian.

A espécie em causa é o polvo-comum (Octopus vulgaris), nativa das águas britânicas, embora habitualmente observada em números reduzidos. Os especialistas explicam que a conjugação de invernos mais amenos e primaveras mais quentes favorece a sua reprodução, tendência que se tem intensificado devido às alterações climáticas.

O fenómeno está a ter impactos significativos na atividade piscatória. Por um lado, os polvos são predadores eficazes de caranguejos e lagostas, provocando perdas para muitos pescadores que dependem destas espécies. Por outro, a captura de polvos registou um crescimento extraordinário. De acordo com o estudo, as capturas aumentaram cerca de 7.700% em 2025 e o mercado de Brixham, em Devon, registou recentemente a venda recorde de 100 toneladas de polvo num único dia.

As consequências estendem-se também ao equilíbrio dos ecossistemas marinhos. Além de predarem diversas espécies de marisco e peixes, os polvos tornaram-se uma importante fonte de alimento para focas, enguias-congro e golfinhos-de-Risso. Para os investigadores, esta alteração está a provocar uma verdadeira reorganização das cadeias alimentares marinhas.

O caso britânico é apontado como mais um exemplo dos efeitos das alterações climáticas sobre a biodiversidade marinha, com espécies tradicionalmente pouco abundantes a encontrarem condições cada vez mais favoráveis para a sua expansão.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: