Imóvel e em choque: coiote bebé sobrevive após ficar coberto por centenas de espinhos
- 11/06/2026 10:46
- Redação
O pequeno aventureiro foi encontrado sozinho no quintal de uma casa na cidade de Surprise, sem qualquer sinal da mãe. Quando os voluntários do Centro de Conservação da Vida Selvagem do Sudoeste, em Scottsdale, chegaram ao local, encontraram um cenário insólito: o jovem coiote estava imóvel, como se tivesse perdido uma batalha épica contra um cato. Espinhos espalhavam-se pelo focinho, barriga, pernas e patas, deixando-o incapaz de se mexer.
A equipa veterinária decidiu sedar o animal e iniciou um delicado processo de remoção dos espinhos. Durante cerca de duas horas e meia, os profissionais retiraram cuidadosamente cada um deles com pequenas pinças metálicas. “Queríamos ser o mais delicados possível, mas também eficientes”, contou Berk Martineau, técnico veterinário, ao jornal norte-americano.
Concluído o procedimento, o coiote foi colocado numa incubadora aquecida e recebeu fluidos para recuperar da desidratação e do trauma. Para o técnico veterinário, o desfecho poderia ter sido fatal. “Com as temperaturas elevadas do verão, a incapacidade de se mover e todos os outros fatores envolvidos, este coiote acabaria por morrer na natureza.”
De acordo com Berk Martineau, o pequeno coiote chegou às instalações do Centro de Conservação da Vida Selvagem em estado de choque.
“Para aquele pequeno animal, tenho a certeza de que era uma dor muito intensa”, afirmou ao The Washington Post, descrevendo a gravidade da situação.
Os especialistas acreditam que o coiote terá embatido numa área repleta de catos cholla. Ao contrário dos espinhos comuns, estes possuem pequenas farpas semelhantes a anzóis, concebidas para se prenderem facilmente ao contacto. Para um animal tão jovem, um único tropeção pode resultar em dezenas ou centenas de espinhos cravados por todo o corpo.
Martineau admitiu que o centro recebe regularmente animais feridos por espinhos, mas destacou o carácter excecional deste caso. “Este foi um caso bastante extremo”, sublinhou, explicando que nunca tinha visto um coiote tão pequeno com uma quantidade tão elevada de espinhos incrustados.
Entretanto, o animal recuperou totalmente. Segundo Martineau, “está a comportar-se exatamente como um coiote selvagem deve comportar-se” e apresenta o mesmo estado de saúde dos restantes pequenos coiotes acolhidos pelo centro.
Atualmente, o bebé coiote vive com outros animais órfãos da mesma idade, formando pequenos grupos que lhes permitem desenvolver comportamentos sociais naturais antes do regresso à vida selvagem. O contacto com humanos é reduzido ao mínimo: os cuidadores evitam falar com os animais, não os acariciam e utilizam máscaras durante os cuidados diários.
“O grande objetivo é que nenhum destes animais fique dependente de nós. Queremos que estejam preparados para regressar à natureza sem procurarem o contacto humano”, explicou Martineau.
Se continuar a evoluir favoravelmente, o pequeno coiote deverá ser libertado na natureza no próximo outono ou na primavera seguinte. “Quando for suficientemente grande e forte, deixá-lo-emos partir”, concluiu o responsável.