Ministro discorda da subida dos juros: sinal do BCE “não era absolutamente necessário”
- 11/06/2026 10:59
- Redação
"O BCE entendeu dar este primeiro sinal ao mercado, veremos os próximos meses", disse o ministro. "Mantenho a minha opinião de que podia não ter dado este sinal e de que ele não era absolutamente necessário."
O Banco Central Europeu aumentou as três taxas de juro diretoras em 25 pontos base para 2,25%, a primeira subida desde setembro de 2023. Este era, aliás, o cenário previsto pelos analistas, mas nem todos concordam com esta decisão.
A decisão do BCE prende-se com o histórico de 2022 quando a Rússia invadiu a Ucrânia e nada foi feito no imediato. A taxa de inflação ultrapassou os 10% (com o efeito da guerra associado ao da pandemia de Covid-19) e as taxas de juros subiram até aos 4%. Desta vez, o conselho de governadores preferiu atuar já.
Miranda Sarmento acredita que a decisão não terá efeitos nas contas públicas portuguesas e disse "respeitar naturalmente o mandato e a independência do Banco Central Europeu". Já na dívida pública, o ministro acredita que "o impacto ainda é relativamente pequeno e demora sempre muito tempo a subir a taxa de juros média".
Sobre a comparação com 2022, Miranda Sarmento acredita tratarem-se de realidades distintas. "A inflação está muito longe desses valores. A inflação core, ou seja, sem energia e sem bens alimentares, continua próxima dos 2%."
As respostas, sobre se foi uma má ou uma boa decisão, chegarão nos próximos meses: "Veremos os próximos meses, há muita incerteza sobre a situação no Médio Oriente e o conflito tem avanços e recuos, que naturalmente são maus para a economia, mas estamos muito longe do que aconteceu em 2022, quer em termos de inflação quer em termos de taxas de juros. As perspetivas para a economia portuguesa continuam a ser bastante positivas."