Europa acusa Rússia de agravar guerra na Ucrânia em reunião rara em Moscovo
- 11/06/2026 11:32
- Redação
Os embaixadores de França, Alemanha e Reino Unido em Moscovo reuniram-se esta quinta-feira com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Mikhail Galuzin, num encontro marcado por fortes divergências sobre a guerra na Ucrânia.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, citado pela Reuters, os representantes dos três países europeus condenaram a recente intensificação dos ataques russos e reiteraram o apoio aos esforços diplomáticos promovidos pelos Estados Unidos e pela Europa para alcançar uma solução negociada para o conflito.
Após o encontro em Moscovo, o porta-voz da diplomacia francesa, Pascal Confavreux, afirmou que os embaixadores transmitiram às autoridades russas a sua preocupação com “a recente escalada por parte da Rússia” e com o aumento das campanhas de desinformação atribuídas ao Kremlin.
Do lado russo, o tom foi igualmente crítico. Em comunicado, citado pela agência de notícias britânica, o Ministério dos Negócios Estrangeiros acusou França, Alemanha e Reino Unido de seguirem uma “política destrutiva”, alegando que o apoio ocidental incentiva a Ucrânia a prolongar a guerra.
O encontro é considerado invulgar, numa altura em que os contactos diretos entre altos responsáveis russos e diplomatas ocidentais se tornaram raros desde a invasão da Ucrânia, em 2022.
No domingo, durante a reunião em Downing Street, os líderes europeus e Zelensky concordaram que a atual linha da frente deverá servir de base para futuras negociações de paz. Defenderam ainda garantias de segurança vinculativas para a Ucrânia, incluindo a possibilidade de uma força multinacional, e consideraram que os ativos russos congelados devem permanecer bloqueados até que Moscovo compense Kiev pelos prejuízos causados pela guerra.
Apesar de manter uma posição firme sobre o conflito, o presidente russo, Vladimir Putin, admitiu recentemente que as propostas de paz apresentadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, poderão contribuir para o fim das hostilidades.
Ainda assim, Putin afirmou que, embora esteja disposto a dialogar com dirigentes europeus, não considera que estes sejam os interlocutores mais adequados para mediar um acordo de paz entre Moscovo e Kiev.