Jogou no Gil Vicente e agora vai tentar ver uns jogos de Portugal no Mundial: a história da norte-americana Kayla Mingachos

Jogou no Gil Vicente e agora vai tentar ver uns jogos de Portugal no Mundial: a história da norte-americana Kayla Mingachos

  • 11/06/2026 12:15
  • Redação

Kayla Mingachos nasceu há 24 anos nos Estados Unidos, em Danbury, Connecticut, e jogou nas últimas duas temporadas em Portugal, enfiada nas camisolas de Lank Vilaverdense e Gil Vicente. Bola Branca conversa com a futebolista a poucas horas do início do Campeonato do Mundo, que terá os EUA como um dos três organizadores, com México e Canadá.

"Eu acho que ainda há muito para crescer no futebol português, em termos de instalações, equipamentos e coisas assim, comparado com o que havia no college [universitário] nos EUA. Mas, em termos de futebol, acho que o futebol em Portugal superou as minhas expectativas", confessa Mingachos, filha de mãe portuguesa e pai norte-americano. E confessa também que vai receber lá nos Estados Unidos duas companheiras do Gil Vicente, com quem tenciona ver jogos do Campeonato do Mundo.

E o que se segue no futebol? Quem sabe... mas a porte do Gil Vicente não está fechada.

Esteve no Gil Vicente esta época e chegou a ir aos play-offs de subida de divisão. O Gil acabou por cair aí. Ainda assim, acha que a época foi boa?

Sim, sim. Quero dizer, não acabou exatamente como nós queríamos, acabámos por perder. Nos play-offs jogámos contra o Rio Ave. No primeiro jogo empatámos 1-1, mas infelizmente perdemos 2-0 no primeiro jogo. Mas, além disso, a temporada foi boa. Eu acho que, como equipa, ficámos muito orgulhosas de onde terminámos, por chegarmos ao play-off. Esse era, obviamente, o nosso objetivo. O nosso objetivo principal era ser promovidas, mas há muitos aspetos positivos a retirar da temporada para a próxima também.

Sim, absolutamente. Esta temporada ensinou-nos muito e agora sabemos o que é preciso para sermos promovidas, o que são as equipas da Primeira Divisão quando as enfrentamos nos jogos. Acho que conseguimos ganhar muito conhecimento para a próxima temporada e sabemos o tipo de trabalho que precisamos de fazer para sermos promovidas e não perder esses jogos novamente.

Ainda teve algumas experiências no futebol universitário nos Estados Unidos, onde o futebol feminino está mais desenvolvido. Tendo em conta essa realidade, o que acha do futebol feminino em Portugal?

Eu acho que ainda há muito para crescer no futebol português, em termos de instalações, equipamentos e coisas assim, comparado com o que havia no college [universitário] nos EUA. Mas, em termos de futebol, acho que o futebol em Portugal superou as minhas expectativas. É melhor do que eu pensava. O estilo de jogo, diria que é diferente em Portugal comparado com os EUA.

Eu acho que lá joga-se um futebol muito agressivo, enquanto em Portugal é um pouco mais tático. Mas, honestamente, das equipas onde joguei nos EUA e comparando com Portugal, eu não diria que há uma diferença tão grande. Obviamente, se formos para a NWSL já será diferente. Mas de onde vim não acho que haja uma diferença tão grande.

Sim, eu só assinei um contrato de um ano com o Gil Vicente, por isso, neste momento, não tenho nenhum plano para a próxima temporada. Estou aberta a qualquer coisa. Estou a ponderar todas as minhas opções, não há nada decidido ainda. Obviamente que estou aberta a voltar para o Gil Vicente, mas, como disse, estou aberta a qualquer coisa.

Esta época marcou três golos em apenas 15 jogos e é defesa-central. Qual é o segredo para a veia goleadora?

Os parabéns têm de ser dados às minhas companheiras, porque todos os meus golos estiveram ligados a bolas paradas. O mérito vai para elas por me darem bons cruzamentos e bons passes nesses momentos, eu só estive lá para dar de cabeça.

Falemos do Mundial: no balneário, as suas colegas tinham muita curiosidade sobre o Campeonato do Mundo ser no seu país?

Sim, obviamente. Elas perguntaram-me muito sobre os EUA e sobre como é jogar lá e tudo mais. E depois, quando começámos a aproximar-nos do verão, começaram a surgir perguntas sobre o Mundial, como e onde é que ia assistir aos jogos. Por acaso tenho duas colegas do Gil Vicente que me vão visitar na próxima semana. Temos planos para ir assistir a jogos do Mundial em cidades diferentes.

Não [risos]. Mas, nos jogos de Portugal, estou a planear ir até à cidade de Nova Iorque para vermos lá. Há uma grande fan zone em Manhattan, devemos passar lá. E depois vamos ver outro dos jogos em Rhode Island, porque em Providence, vai haver uma fan zone só para portugueses. Em Newark, Nova Jérsia, também há uma grande comunidade portuguesa.

É emocionante. Quer dizer, ainda não sinto mesmo isso, mas quando começar a competição e começarem os jogos vai ser incrível. Estou muito entusiasmada porque aqui, comparado com Portugal, o futebol não é tão grande. Mas, recebendo o Mundial, a energia em torno do futebol cresce muito. E, obviamente, para mim, que cresci a amar futebol, isso é realmente emocionante.

Como é que isso aconteceu, crescer com futebol num país que não liga a futebol?

A minha família é uma família de futebol. O meu pai é treinador numa universidade aqui, em futebol masculino. Jogou futebol a vida toda. Tenho um irmão mais velho que também jogou futebol a vida toda. E, por acaso, ele também jogou em Portugal. Por isso não tive escolha [risos]. Cresci com uma bola nos pés. Jogava no jardim com o meu irmão o tempo todo e os meus pais colocaram-me no futebol quando eu era pequena. Depois fui crescendo. Comecei no futebol local, depois no ensino secundário e, por fim, joguei na I Divisão da Universidade de Quinnipiac.

E jogou num país que é, talvez, a grande potencia do futebol feminino. Qual é a melhor seleção dos EUA: a feminina ou masculina?

Eu sou um bocado parcial, mas… prefiro a feminina [risos]. Mas acho que a seleção masculina dos EUA tem muito potencial para este Mundial. Pelo último jogo que fizeram esta semana, vê-se que há muito potencial. Como disse, ainda acho que existe muito crescimento comparando com aquilo que seleções como Portugal, França ou Inglaterra levam para o Mundial. Mas há muito potencial para os EUA este ano, estamos melhores. E acho que temos uma das equipas mais fortes dos últimos anos.

Portugal, a cem por cento. A minha família é portuguesa. Foi assim que cresci. A minha família inteira apoia Portugal, cresci a ver futebol português.

Sim. A minha mãe nasceu em Portugal. O meu pai nasceu aqui, mas os pais dele também nasceram em Portugal e depois mudaram-se para cá.

E nessa infância com muito futebol português, apoiava algum clube ou jogador em particular?

Sim. Mais uma vez, eu diria não que tive escolha [risos]. Sporting, cem por cento. O meu pai é sportinguista. O meu avô é sportinguista. Acho que, se escolhesse outra equipa, a minha família deixava de me falar. Sou uma grande adepta do Sporting. Quanto a jogadores: diria, obviamente, o Cristiano Ronaldo, porque era a maior figura quando eu estava a crescer. Também adorei o Pepe. Nem sei como começou, mas adorava vê-lo jogar, acho que foi ele que me fez gostar da posição de defesa-central. Adorava a forma como ele jogava. Adorava vê-lo.

Sim, já tinha visitado Portugal antes. Não muitas vezes. Acho que tinha ido lá três ou quatro vezes antes. E depois, obviamente, com a minha ida para lá, a minha família passou a visitar o país mais vezes também. Isso deu-lhes mais uma razão para irem.

Já falámos da seleção feminina norte-americana, mas e a portuguesa? O que tem achado?

Eu acho que elas continuam a evoluir. Lembro-me da última vez que jogaram contra os EUA e da forma como competiram. Foi algo que eu não esperava ver. E acho que é isso que está a acontecer no futebol feminino em geral, especialmente a nível internacional. Toda a gente está a aproximar-se dos EUA. Viu-se isso no último Mundial, com Portugal e outras seleções.

Já não existe uma diferença tão grande como existia há dez anos entre os EUA e o resto do futebol feminino mundial. Neste momento, todos os países estão a conseguir competir com os EUA e a criar-lhes dificuldades, o que é ótimo de ver. E estou muito feliz por Portugal estar a conseguir competir nestes torneios.

  • Fonte: Rádio Renascença
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