Como é que uma menina de 12 anos pediu ajuda ao 112 sem levantar suspeitas?

  • 11/06/2026 13:32
  • Redação

O caso aconteceu na madrugada de 2 de maio. A criança ligou para o 112 e, quando a chamada foi atendida, limitou-se a dizer “olá tio”. Apesar de o operador explicar que tinha ligado para o número de emergência, a menina insistiu que sabia e continuou a tratá-lo por tio.

Durante a conversa, explicou que estava num carro a caminho de casa, acompanhada pela mãe, que dormia no banco de trás com o irmão bebé.

Não. Foi a insistência da criança em falar com o operador como se fosse o tio que levou o agente a suspeitar de que ela estava a tentar transmitir uma mensagem sem poder falar abertamente.

Perante a possibilidade de a menor estar em perigo, o operador entrou na narrativa e simulou uma conversa familiar para evitar despertar suspeitas nas pessoas que a acompanhavam.

Não. Ao longo da chamada, a criança continuou a falar com o operador como se estivesse a conversar com um familiar e foi transmitindo informações fundamentais para a intervenção policial.

Indicou onde estava, para onde seguia, em que carro circulava e quem a estaria a importunar.

A conversa durou cerca de 15 minutos, período durante o qual o operador alertou o Comando da PSP de Lisboa.

Quando o veículo chegou ao destino, a polícia já se encontrava no local. O suspeito, que conduzia o carro e seria namorado da mãe da criança, foi identificado.

Mais tarde, a mãe apresentou queixa por tentativa de abuso sexual e o caso passou para a esfera do Ministério Público.

E isto já tinha acontecido outras vezes? Como é que o operador percebeu que não era uma partida?

Não é inédito que alguém ligue para o 112 sem poder falar e recorra a uma história para que o operador perceba que precisa de ajuda. No entanto, segundo a PSP, foi a primeira vez que uma situação deste género envolveu uma criança desta idade.

O diretor operacional do Serviço 112 da PSP destacou a inteligência, a maturidade e o sangue-frio da menor.

Os operadores estão preparados para adaptar a comunicação às circunstâncias e tentar perceber o que está a acontecer através de perguntas discretas e respostas simples. Ainda assim, não existe formação específica para todas as situações, pelo que, neste caso, foi determinante a sensibilidade do agente, que está ao serviço há pouco mais de um ano.

Se não for possível pedir ajuda de forma direta, a pessoa pode tentar utilizar um código simples, como fingir que está a fazer uma encomenda ou a falar com alguém de confiança.

Também deve responder com “sim” ou “não” às perguntas do operador, permitindo-lhe perceber o tipo de emergência e identificar a localização da chamada.

  • Fonte: Rádio Renascença
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