Papa reza nas Canárias pelos migrantes "que perderam a vida no mar"
- 11/06/2026 14:21
- Redação
Leão XIV celebrou missa esta quinta-feira à tarde no estádio da Gran Canária, em Las Palmas, mas, como o recinto não foi suficiente para acolher toda a multidão, o Papa passou primeiro por um outro pavilhão, a Arena de Las Palmas, para saudar os fiéis que ali se reuniram para participar, ainda que à distância, na missa papal.
Na homilia, Leão XIV começou por dar graças a Deus “por tanto bem que aqui se faz quotidianamente, confiando-Lhe o empenho de todos e, ao mesmo tempo, os sofrimentos de que esta terra é testemunha”.
“A caridade de Deus, não se baseia no cálculo, nem no mero sentimento, nem se reduz a simples filantropia, mas penetra todo o nosso ser: fogo para a alma, luz para a mente, impulso irresistível para a liberdade, paz e, ao mesmo tempo, tormento para o coração, que bate em sintonia com outros corações, envolvendo toda a pessoa”, reforçou Leão XIV na homilia desta tarde.
“A nossa caridade não deve limitar-se a um mero assistencialismo, mas deve integrar as pessoas, para a sua plena realização — espiritual, intelectual e física — e a sua inserção digna e construtiva na comunidade. Só assim os nossos encontros, mesmo perante acontecimentos difíceis e dolorosos, se transformarão numa ocasião para semear a esperança no caminho da humanidade rumo a um futuro melhor", sublinhou.
Na véspera da festa do Sagrado Coração de Jesus, o Papa lembrou que Jesus é humilde e, por isso, “os seus batimentos não são sentidos pelos ‘doutos’ nem pelos ‘sábios’, ou seja, por aqueles que têm a presunção de se bastar a si mesmos, de saber tudo, de não precisar nem de Deus nem dos outros”.
Leão XIV usou palavras fortes para denunciar que aos “atordoados pelos estrépitos de um ‘eu’ inflamado, omnipresente e agitado, falta o silêncio necessário para ouvir em si mesmos e nos irmãos o palpitar escondido do amor”, enquanto, por outro lado, “Jesus ensina-nos o contrário: para saborear a verdadeira alegria da vida, que reside no amor, é necessário descer dos pedestais da arrogância que divide, para nos encontrarmos na humildade que nos faz irmãos”.