Julian Quiñones, o avançado que escapou das guerrilhas na Colômbia é o primeiro a marcar no Mundial

Julian Quiñones, o avançado que escapou das guerrilhas na Colômbia é o primeiro a marcar no Mundial

  • 12/06/2026 14:41
  • Redação

Original de Magüí Payán, no sul da Colômbia, o jovem Julian cresceu com a mãe e três irmãs numa região marcada pelo narcotráfico, por conflitos armados e minas de ouro ilegais, conhecida por Triângulo Telembí.

No pequeno clube colombiano, Quiñones ganhou a alcunha de "El Pantera" e chegou à final do torneio nacional de sub-17. César Valencia lembra um jogo em que marcou... 17 golos: "Não sei quantos avançados já marcaram esse número de golos num só jogo."

Quiñones viveu durante dois anos nas instalações do clube colombiano, até rumar ao México em 2015, após chegar a um acordo para ingressar nas camadas jovens do Tigres, um dos principais clubes mexicanos, que o tinha observado durante um torneio de sub-17 pela seleção de esperanças da Colômbia.

Julian Quiñones estreou-se pelo Tigres em 2016, com o número 100 na camisola (no campeonato mexicano é permitido que os jogadores da formação tenham três dígitos), para substituir André Pierre-Gignac.

O dia? 24 de julho de 2016, duas semanas depois da final do Euro 2016, onde esteve Gignac — que desperdiçou a maior ocasião da França na final frente a Portugal, com uma bola ao poste.

Entre duas passagens por clubes mais pequenos para amadurecer, por Venados e Lobos BUAP, assume-se na equipa do Tigres em 2018 e chega a vencer a Liga dos Campeões da CONCACAF, em 2020. Pelo meio recupera de uma lesão grave, uma rotura dos ligamentos cruzados do joelho.

No México, Quiñones representa ainda o Atlas de Guadalajara e o Club América, da Cidade do México. Em 2023, recusa o convite para representar a seleção da Colômbia, o seu país natal, por considerar que está totalmente integrado no futebol mexicano.

Pouco tempo depois surge a primeira convocatória e internacionalização pela El Tri, em novembro de 2023, numa derrota frente às Honduras.

No seu período no México vence três torneios Apertura e três Clausura, antes de rumar à Arábia Saudita, numa transferência milionária para a realidade da liga mexicana: quase 14 milhões de euros, tornando-se a terceira venda mais cara para fora da Liga MX.

Em pleno êxodo de jogadores para a Arábia, o destino foi o Al-Qadisiyah, onde se juntou a nomes do futebol europeu, como Aubameyang e Nacho Fernández e três nomes conhecidos do futebol português — Otávio, Julian Weigl e André Carrillo. E não se encolheu: em 68 jogos marcou 62 golos e fez 12 assistências.

Chega ao Mundial 2026 no melhor momento de forma da carreira e o mundo sorriu-lhe logo no início do jogo de estreia do México, frente à África do Sul. No final do jogo, não escondeu a alegria: "Estou feliz e entusiasmado por marcar o meu primeiro golo num Mundial, num estádio tão espetacular e com fãs tão incríveis."

  • Fonte: Rádio Renascença
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