Visita do Papa a Espanha: Madrid marcou um golaço, mas Barcelona e as Canárias também
- 12/06/2026 15:56
- Redação
Ao princípio, ainda se pensou que o entusiasmo era devido à prolongada ausência de um Papa em terras de Espanha. Talvez fosse, mas as multidões continuaram a aderir, ininterruptamente, até ao fim da visita.
Com uma linguagem moderna e acessível, usou palavras certeiras e muita serenidade, quer perante as autoridades e poderosos, quer nas homilias e encontros. Sorridente e discreto, aproximou-se das pessoas que esperaram horas ao sol para o saudar, estendeu a mão a todos, incluindo bebés que carinhosamente sempre abençoa e pega ao colo.
Leão XIV também incluiu na sua agenda visitas aos que sofrem. Foi uma prisão, ouviu testemunhos de sofrimento e, nas Canárias, em frente ao mar, rezou, abraçou migrantes e refugiados, declarando que “não podemos habituar-nos a contar mortos e que a dignidade humana não perde valor ao atravessar uma fronteira”.
Ao longo destes dias, Leão XIV também revelou o seu lado mais descontraído. Falou de futebol para explicar que, em Espanha, o Papa é por todas as equipas, mas não escondeu que Robert Prevost torce pelo Real Madrid. E ficou famosa a sua reação quando, em clima de festa no Estádio Bernabéu, após uma divertida caricatura de um jogo com pénaltis, Leão XIV comentou: “O sonho de qualquer jogador é meter um golo neste estádio, mas Madrid hoje fez um golaço!”.
Enfim, o “sim” de Pedro faz milagres e o que aconteceu nesta viagem é a prova disso. No contexto secularizado da Europa “cansada da fé”, como alertou Bento XIV, onde a Espanha se inclui, as anunciadas manifestações contra a presença do Papa esmoreceram, enquanto o entusiasmo de milhões se reforçou continuamente, em todas as etapas da visita.
De olhar fixo em Cristo, o Sucessor de Pedro, não só foi a Espanha confirmar na fé os batizados, como apontou caminhos de conversão e unidade para toda a sociedade, sem cancelar os desafios que a modernidade coloca hoje Igreja, na Europa e no mundo.
Em Espanha foi um sucesso. Daqui a três meses, o Papa visita a França, cuja secularização é conhecida. Será que Leão vai conseguir, também ali, despertar a fé adormecida e, assim, rejuvenescer a "velha" Europa?