“O dono da Altice quer é dinheiro”: sindicato reage ao plano de saída de 1200 trabalhadores da MEO

“O dono da Altice quer é dinheiro”: sindicato reage ao plano de saída de 1200 trabalhadores da MEO

  • 13/06/2026 12:23
  • Redação

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTTAV), o mais representativo dos oito sindicatos ligado à empresa, disse ter sido surpreendido com as notícias do despedimento de mais 1200 trabalhadores da MEO.

Segundo o representante, esta tem sido a política da Altice desde que comprou a antiga Portugal Telecom: “reduzir, reduzir, reduzir trabalhadores”.

Manuel Gonçalves descreveu a situação como uma redução sistemática de recursos humanos. “Em 1994, éramos 24 mil e neste momento somos menos de cinco mil”.

A empresa está, neste momento, à procura de comprador e o sindicato lembrou que “uma empresa como a MEO se tiver 5 mil trabalhadores tem um preço, se tiver 3 mil tem outro preço e o dono da Altice quer é dinheiro”.

Manuel Gonçalves acrescenta ainda que a Altice encerrou agora 23 edifícios, que deverá também querer vender.

Estes planos entram em conflito com a necessidade de trabalhadores, contou Manuel Gonçalves, que foi visível nas tempestades do início do ano.

“Há muitos telefones que ainda não funcionam desde a catástrofe e não se sabe quando começam a funcionar porque não há pessoal", lamentou. "Eles não têm pessoal.".

“O posto de trabalho não tem preço e somos contra todo o tipo de despedimento” é o lema do sindicato, mas o presidente do SINTTAV admitiu que pouco pode fazer nesta situação, uma vez que até o governo já concedeu o estatuto de restruturação à empresa.

Os trabalhadores têm saído por atingirem as condições de reforma ou aposentação, nos regimes da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações, estão também a ser negociadas reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo.

Manuel Gonçalves revelou ainda que as rescisões acordadas rondam os 100 mil euros, mas avisa que “o dinheiro vai depressa”. Segundo o sindicalista, “há trabalhadores com pouco mais de 40 anos a rescindirem. Ao fim de meia dúzia de anos, não têm dinheiro nem posto de trabalho.”

A MEO pediu o estatuto de empresa em reestruturação, que foi atribuído no início deste ano e é válido até dia 30 de junho. É através deste processo que pode agora despedir 1200 trabalhadores.

  • Fonte: Rádio Renascença
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