"Os inimigos não chegam de barco, mas de avião privado". Protestos "Não ao G7" em Genebra antes da cimeira em França

"Os inimigos não chegam de barco, mas de avião privado". Protestos "Não ao G7" em Genebra antes da cimeira em França

  • 14/06/2026 12:43
  • Redação

Milhares de manifestantes reuniram-se este domingo em Genebra para demonstrar o seu descontentamento com o grupo G7, sob forte vigilância policial, na véspera da cimeira que se vai realizar na cidade de Évian-les-Bains, em França.

A manifestação partiu pouco depois das 15h30 (hora local) das margens do lago de Genebra e uma hora depois o número de manifestantes tinha aumentado para aproximadamente 15 mil, segundo jornalistas da AFP.

Os repórteres sinalizaram também que viram um carro em chamas, não muito longe da marcha, e bombeiros a tentar apagar o incêndio.

A polícia de Genebra disse este domingo, em comunicado, que apreendeu objetos potencialmente perigosos, como dispositivos pirotécnicos, bolas de petanca, bastões e machados, perto do percurso da manifestação.

Genebra preparava-se há semanas para sediar esta marcha cidadã, tendo em vista evitar atos de violência, vandalismo ou sabotagem que frequentemente marcam estes eventos.

A cimeira do grupo das sete economias mais industrializadas do mundo será realizada até quarta-feira na cidade de Évian-les-Bains, a 45 quilómetros de Genebra.

O Governo francês manteve a sua recusa em autorizar uma manifestação no seu território. Por isso, o grupo organizador "No G7" (composto por mais de 60 associações, sindicatos e grupos de esquerda) solicitou às autoridades de Genebra que permitissem a realização do evento.

Após negociações infrutíferas entre a Suíça e a França, as autoridades de Genebra, com o apoio do Governo central, finalmente concordaram em acolher a manifestação, embora os franceses nem sequer tenham concordado em contribuir para os custos de segurança.

Genebra, considerada uma "cidade internacional" e o coração do multilateralismo, por ser a sede europeia da Organização das Nações Unidas (ONU) e de dezenas de outras organizações internacionais, sentiu-se na obrigação moral de garantir a liberdade de expressão e o direito de manifestação, explicou Carole-Anne Kast, do governo cantonal de Genebra.

Numerosos grupos de vários países europeus confirmaram presença na marcha e estão a chegar a Genebra, onde foram impostas medidas de segurança rigorosas e 21 das suas 26 passagens de fronteira com a França foram fechadas para controlar a entrada.

Embora as manifestações contra o G7 tenham variado em tamanho e atraído diferentes níveis de atenção nos últimos anos, o precedente mais violento é o do G8 (na época, a Rússia fazia parte) de 2003, que também ocorreu em Évian, embora a manifestação daquela ocasião também tenha acontecido em Genebra, onde houve extensos danos materiais causados por grupos extremamente violentos.

As autoridades impuseram um percurso que restringe a passagem dos manifestantes ao longo da margem direita do lago de Genebra, impedindo-os de atravessar a icónica Ponte do Mont Blanc, uma medida solicitada pelos organizadores que os mantém afastados do centro da cidade, embora passem pela sede da ONU.

Nas proximidades fica a Organização Mundial do Comércio (OMC), que reforçou a sua segurança por ser considerada um símbolo do capitalismo e do livre mercado, e que já foi alvo de manifestações violentas no passado.

Dezenas de lojas no centro de Genebra fecharam as suas vitrinas com tapumes em antecipação a possíveis distúrbios.

  • Fonte: Rádio Renascença
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