"A fragilidade de Pedro Sánchez" mantém o governo espanhol, diz especialista
- 15/06/2026 02:15
- Redação
Para o politólogo, o executivo de Sánchez só ainda não caiu, porque os partidos que suportam a coligação governativa aproveitam a fragilidade do chefe do governo para obter vantagens políticas.
“Dá-se a circunstância de Pedro Sánchez ter o seu poder assente numa coligação extraordinariamente invulgar de partidos. E esses partidos tiram vantagens da fragilidade de Pedro Sanchéz. Isto é, quanto mais frágil estiver Pedro Sánchez, mais são as concessões e as cedências que os partidos que o apoiam conseguem extrair do governo”, explica o politólogo reconhecendo que se trata de uma situação “um bocadinho paradoxal”.
Está marcada para esta segunda-feira uma audiência preliminar da mulher de Pedro Sánchez, Begoña Gómez, por ser suspeita de vários crimes, como tráfico de influências, corrupção e desvio de fundos privados.
A primeira fase do julgamento começará às 18h00 locais (17h00 no fuso horário português).
“Temos um primeiro-ministro frágil e é essa fragilidade que o mantém no poder, porque os seus parceiros parlamentares aproveitam esta circunstância de especial debilidade para conseguir o máximo de vantagens possíveis”, resume.
Uma situação que, ao contrário do expectável, não está a ser capitalizada pela extrema-direita, mas sim pelos partidos de “esquerda regional”.
Na análise de Diogo Noivo, os casos no governo “parecem estar a beneficiar o que em Espanha se chama as esquerdas regionais, isto é, são partidos de esquerda, mas de âmbito exclusivamente regional”
“Esses partidos de esquerda, sim, parecem estar a crescer e a tirar alguma vantagem dos erros cometidos pela esquerda de âmbito mais nacional”, aponta.
Olhando para a direita, nomeadamente para o VOX, o especialista lembra que o partido de extrema-direita mantém “uma posição sólida”, mas “continua o terceiro partido a nível nacional e, de facto, não tem um crescimento por aí além”.
O politólogo reconhece que “a fragilidade de Pedro Sánchez está a produzir danos evidentes no funcionamento da democracia, mas a direita radical populista não está aparentemente a beneficiar muito”.
Sobre os argumentos do PSOE que alegam uma conspiração política da justiça por parte da direita para derrubar o governo, Diogo Noivo diz não fazer sentido e lembra que foi a “mesma justiça que no passado condenou gente do Partido Popular (PP). Aliás, este partido [conservador] foi mesmo constituído arguido enquanto partido”.
Para o politólogo, alegar uma conspiração não só é “errado” como é um “argumento perigoso”, “porque o que o partido socialista e, em particular o governo, tem feito de forma reiterada é dizer aos cidadãos para não confiarem na justiça”.
“É um argumento desesperado e errado, mas é também um argumento perigoso na medida em que enfraquece os pilares do que é uma democracia funcional”, alerta.
O governo de Sánchez resulta de uma coligação minoritária de esquerda com o partido de esquerda Sumar. Uma espécie de geringonça assente em acordos com mais seis partidos regionalistas e independentistas que está, para já, a segurar o executivo.