Miguel Baumgartner. Memorando ainda é "primeiro passo para a paz" entre EUA e Irão

Miguel Baumgartner. Memorando ainda é "primeiro passo para a paz" entre EUA e Irão

  • 15/06/2026 01:17
  • Redação

Depois do memorando de entendimento estabelecido entre os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão, o analista de assuntos internacionais Miguel Baumgartner acredita que este "ainda é o primeiro passo para chegar a um acordo de paz que ainda está muito longe".

Segundo o analista, o memorando de entendimento é "o pior pesadelo que podia acontecer a Benjamin Netanyahu", para além de representar "a assunção total de uma derrota".

Se Israel queria o colapso do regime iraniano, a assinatura do memorando coloca "sentado à mesa a negociar a paz o mesmo regime que Israel convenceu os EUA a entrar em confronto militar". Nesse sentido, "A capacidade militar, quer de Israel, quer dos Estados Unidos, não conseguiu garantir uma vitória política".

O especialista acredita que o Irão não sai propriamente vencedor, mas sai reforçado do acordo. "Dizer que o Irão é vencedor talvez seja uma frase muito forte, mas sai reforçado porque não só é o mesmo regime, como ao final desta guerra, os EUA conseguiram reforçar militar e politicamente o Irão".

Sobre uma possível rotura na relação diplomática entre Israel e os EUA, Baumgartner acredita que, "por muito que, neste momento, a relação Netanyahu e Trump esteja ferida", o primeiro-ministro israelita está a "a ver como é que pode salvar a sua carreira política, não esquecendo que Israel tem eleições dentro de alguns meses".

O analista político acredita, ainda, que "as próprias monarquias do Golfo vão olhar para os EUA com menos vontade de os terem presentes para segurança, e até poder procurar junto da China ou junto de outras parcerias essa segurança que precisam e que querem".

Donald Trump quer "dar a ideia de que, efetivamente, está sempre envolvido em todos os processos de paz", reflete Miguel Baumgartner. "Donald Trump poderá tentar essa aproximação no sentido de conseguir convencer os europeus a aceitarem algumas daquelas que são as linhas vermelhas de Moscovo para tentar seguir num acordo", remata o analista.

  • Fonte: Rádio Renascença
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