Mistério no fundo do mar: descoberto cemitério de baleias com mais de 5 milhões de anos
- 15/06/2026 08:00
- Redação
Um vasto “cemitério de baleias” com cerca de 1.200 quilómetros de extensão foi identificado nas profundezas do oceano Índico, numa descoberta que os investigadores consideram sem precedentes.
O local encontra-se na zona de fratura de Diamantina, no sudeste do Índico, a aproximadamente sete quilómetros de profundidade, e alberga restos de cetáceos que remontam a mais de 5,3 milhões de anos.
“Descobrir uma necrópole desta dimensão foi completamente inesperado. A extensão da sua distribuição, a profundidade e o intervalo de idades estavam muito além de tudo o que imaginávamos”, afirmou Xiaotong Peng, investigador da Academia Chinesa de Ciências e um dos autores do trabalho, citado pela BBC.
Ao longo de 32 mergulhos de exploração, os investigadores recolheram amostras em 485 locais com fósseis de baleias e áreas com carcaças recentes. Entre os achados mais relevantes encontra-se o crânio fossilizado de uma baleia extinta da espécie Pterocetus benguelae, datada de há cerca de 5,3 milhões de anos.
Os cientistas identificaram igualmente uma nova espécie, baptizada Pterocetus diamantinae, em homenagem à região submarina onde foi encontrada.
Entre os vestígios mais impressionantes está ainda a carcaça de uma baleia-anã-da-Antártida com cinco metros de comprimento, a maior descoberta efectuada durante a missão.
Para os especialistas, este local oferece uma oportunidade rara para compreender a evolução dos ecossistemas marinhos profundos e o papel que os corpos de grandes cetáceos desempenham na manutenção da vida no fundo dos oceanos.
Stephen J. Godfrey, do Calvert Marine Museum, escreveu na revista Nature que a descoberta é “verdadeiramente única”. O investigador acredita que, apesar das dificuldades de acesso à área, o local poderá esconder muitas outras revelações científicas.
“Este trabalho fez-me lembrar o trailer do primeiro filme de uma série épica. Espero que muitos outros capítulos desta história estejam ainda por vir”, afirmou.
A descoberta reforça a ideia de que os oceanos profundos continuam a ser uma das regiões menos exploradas do planeta, capazes de revelar ecossistemas e vestígios de vida que permaneceram ocultos durante milhões de anos.