Suécia volta às Américas com 1994 na memória (e Gyökeres a fazer de Kennet Andersson?)

Suécia volta às Américas com 1994 na memória (e Gyökeres a fazer de Kennet Andersson?)

  • 15/06/2026 07:12
  • Redação

Em 1994, a Suécia não entrou no Mundial para ser lembrada. E talvez seja precisamente por isso que ficou na memória.

Nos Estados Unidos, a Suécia apresentava-se como tantas outras seleções do seu tempo: organizada, contida, sem o brilho ostensivo dos candidatos ao título. Mas o futebol, por vezes, guarda espaço para equipas que crescem em silêncio e foi nesse registo que os suecos começaram a sua caminhada.

Um bloco compacto, difícil de desmontar, que foi sobrevivendo jogo após jogo com uma espécie de inevitabilidade discreta. Brolin dava lampejos de classe, Martin Dahlin e Kennet Andersson ofereciam presença e profundidade, Ravelli segurava o que havia para segurar.

Os nórdicos começaram por superar o Grupo B com o Brasil, ambos sem derrotas. Tudo começou com um empate, a duas bolas, contra os Camarões do suplente Roger Milla. Roger Ljung e Martin Dahlin fizeram os golos dos suecos. Depois, veio a vitória contra a Rússia, algo que não acontecia desde o Mundial de 1974. Brolin, talvez a lenda maior da seleção sueca, marcou de penálti e Dahlin fez mais dois golos. Finalmente, contra o Brasil, na derradeira jornada da fase de grupos, a Suécia empatou a uma bola, com golos de Romário e Kennet Andersson.

A eliminação frente ao Brasil, na meia-final, não apagou o que tinha sido feito até ali. Pelo contrário, fixou a ideia de uma equipa que tinha ido mais longe do que o guião inicial permitia imaginar. E no jogo do terceiro lugar, a vitória por 4-0 sobre a Bulgária não foi apenas um fecho: foi uma afirmação final, quase serena, de um percurso que não precisava de dramatização para ser grande. A goleada contra Balakov e companhia foi pintada por Brolin, pois claro, Mild, o Larsson e Kennet Andersson, um avançado com um grandíssimo jogo de cabeça que festejou cinco golos nesse torneio (Dahlin fez quatro e Brolin três).

Esse terceiro lugar tornou-se, com o tempo, uma espécie de fotografia nítida da identidade sueca em grandes palcos: resistente, pragmática, difícil de vencer, capaz de ir mais longe do que o esperado sem nunca parecer deslumbrada com o feito. Algo que não se via desde 1958, quando organizou o torneio e chegou à final, batizando o primeiro título mundial de Pelé e companhia.

Agora, ao regressar ao Mundial e depois da goleada por 5-1 à Tunísia, essa memória não surge como comparação inevitável, mas como eco distante. 1994 não é um peso, é apenas a prova de que, em certos verões, a história aceita equipas que não pedem licença para ficar. E quem tem Viktor Gyökeres, já se sabe, arrisca-se a ser feliz...

  • Fonte: Rádio Renascença
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