Matheus Nunes sente-se médio-lateral e luso-brasileiro. Só não se divide no Mundial: "Ganhar é que é bom"

Matheus Nunes sente-se médio-lateral e luso-brasileiro. Só não se divide no Mundial: "Ganhar é que é bom"

  • 15/06/2026 15:42
  • Redação

Matheus Nunes não esconde que o coração está dividido ao meio, entre o amarelo do Brasil e o vermelho e verde de Portugal e que uma final com a seleção "canarinha" seria "especial", embora não se comprometa com a visão. Também garante que tanto lhe faz jogar a médio ou a lateral. No fundo, independentemente do caminho, da posição e dos adversários, o que o jogador do Manchester City quer é conquistar o Mundial 2026.

"Foi muito difícil tomar a decisão de escolher Portugal, porque também sou brasileiro. Sinto que sou os dois, português e brasileiro. Toda a gente me pergunta o tempo todo: 'És mais o quê, português ou brasileiro?' Sou igual. Sinto-me igual. Agora, em relação ao futebol, sinto que devo muito mais a Portugal do que ao Brasil, porque foi Portugal que me deu a oportunidade de ser quem eu sou hoje, abriu-me as portas", assume o médio-lateral, em conferência de imprensa, esta segunda-feira.

Cancelamento de treino devido ao mau tempo afeta preparação? "De maneira nenhuma, é uma coisa normal. Não podemos prever o que vai acontecer na natureza. Quando estava aqui no Mundial [de Clubes] também aconteceu isto e tivemos um treino adiado. É tentar adaptar."

Duas semanas na Cidade do Futebol colmataram eventuais treinos adiados? "Já viemos de uma época longa, todos os jogadores estão preparados e essas duas semanas que fizemos em Portugal foi só um continuar do que temos feito durante toda a época. Estamos prontos e vamos mostrar isso no jogo do dia 17."

Quando sentiu que seria convocado? "Eu já tinha isso em mente desde o início da temporada, sabia que era preciso ter muitos minutos na minha equipa para poder chegar aqui nesta fase e ter oportunidade. Em todos os estágios em que participei, dei o melhor. Todos fazem isso, temos todos o mesmo na cabeça. É um sonho para nós estar aqui, estou muito feliz e vou tentar aproveitar ao máximo."

Sente-se mais lateral ou médio? "Sinto-me os dois, estou confortável nas duas posições. Agora estou mais que habituado a tudo o que envolve ser lateral. Também já joguei a extremo-esquerdo, já joguei em todas as posições. Sinto que consigo fazer muitas posições. Sinto-me confortável a lateral e médio, não tenho preferência."

Tem mais possibilidade de jogar como lateral ou como médio? "Isso é opção do mister. Temos cinco centrais, laterais que podem jogar a centrais, laterais que podem jogar a médios. Temos jogadores muito versáteis, que podem jogar em várias posições."

Mau tempo: "Aconteceu num treino, pode acontecer num jogo e temos de estar preparados. Num dia está uma tempestade, noutro dia pode estar sol. Podem acontecer coisas inesperadas e temos de estar prontos. Se tivermos de esperar 15, 30 minutos para um jogo, temos de saber o que fazer e continuar focados. É estarmos sempre preparados."

Matheus Nunes está a ler a biografia de Diogo Jota: "Comecei a ler o livro no voo para cá, já tinha comentado com a minha família que o ia fazer. Foi curiosidade minha. Descobri cosias que não sabia, pormenores que não senti na pele. Já descobri outros detalhes daquilo que aconteceu. Fica para mim, mas sim, estou a descobrir coisas que não sabia."

Lição que possam retirar da biografia de Diogo Jota: "A carreira do Diogo foi de superação e todos nós podemos tirar ilações disso. Não foi fácil para ele, como não foi fácil para outros jogadores. Foi uma carreira muito bonita de sucesso que ele teve, de começar por baixo e chegar onde ele chegou. Tenho a certeza que ele olha por nós agora e nos deseja o maior sucesso do mundo, e nós carregamo-lo nos nossos corações e também agora nos nossos pulsos."

Empates de favoritos é aviso para Portugal: "O Campeonato do Mundo é uma competição rápida, são só oito jogo. Todas as seleções têm muita qualidade hoje em dia. Temos de enfrentar cada jogo como se fosse uma final. Há equipas que no papel podem ser mais fracas no papel, mas depois em campo é um jogo e pode acontecer qualquer coisa, 90 minutos é muito longo. Temos de estar preparados."

Há oito anos, estava no Ericeirense: "Não imaginava este percurso, mas sempre sonhei. Trabalhei muito para que acontecesse. Tenho muito orgulho no meu percurso, sempre trabalhei de cabeça baixa à procura de ser melhor, com ajuda dos meus familiares e amigos. Sempre tive um círculo familiar muito próximo e unido que me deu todo o apoio. Muito daquilo que sou hoje, e o estar aqui hoje, é por causa deles. É um sonho estar aqui. O auge de qualquer jogador é poder estar aqui no Mundial. Mas quero ganhar: ganhar é que é bom e vamos trabalhar para isso."

Sob o signo do "6", a camisola de Matheus Nunes. Portugal foi terceiro no Mundial 1966, quarto no Mundial 2006 e campeão no Euro 2016: "São coincidências. Pode dizer muita coisa, como também pode não dizer nada. Temos é de estar preparados para ganhar o jogo do dia 17, a seguir o seguinte e depois vemos como vai ser no final."

Pep Guardiola chegou a colocá-lo entre os melhores do mundo e a criticá-lo como médio. Como se lida com esse "sobe e desce" de opiniões do próprio treinador? "É como tudo na vida. Num fim de semana temos um jogo bom e somos os melhores do mundo, na quarta-feira já não temos um jogo tão bom e temos de vir embora porque já não somos bons o suficiente. É tentar lidar com isso da maneira o mais equilibrada possível. Quando te elogiam, não pensares que és o melhor do mundo; e quando te criticam, não achares que és o pior do mundo. A crítica faz parte do nosso trabalho, somos todos adultos e profissionais. O que importa é o que está na nossa cabeça, para trabalhar, para melhorar todos os dias. A opinião dessas pessoas claro que contam, mas temos de nos focar no nosso dia a dia e tentar ser melhores todos os dias, porque as opiniões vão e vêm e mudam muito rapidamente, e isso não pode afetar-nos."

Com que imagem quer deixar os Estados Unidos? "O Mundial é a competição mais bonita do mundo, porque estamos a representar o nosso país. Não jogamos apenas pelos 27 que estão aqui, estamos a jogar por dez milhões em Portugal e mais não sei quantos espalhados pelo mundo. A imagem que tenho na cabeça e o sentimento que quero ter no final, quando sair daqui, é orgulho. Seria muito bom sair daqui com o título, não sou hipócrita, mas se não sairmos, é sentirmos orgulho e estarmos de cabeça levantada porque fizemos tudo para que isso acontecesse."

Jogar Mundial com Cristiano Ronaldo: "Sentimo-nos orgulhosos. Já jogou tantos Mundiais e estar num com ele é um prazer. Espero que consigamos sair daqui com o título, seria especial para ele."

Ausência de Ruben Dias no primeiro treino: "Queremos que ele esteja presente em todos os jogos, é importante para a seleção. É um dos líderes, uma voz muito presente no balneário e fora dele também. Espero que esteja bem para o primeiro jogo e para o resto do Mundial."

Idas à praia: "Já fazia parte dos planos de trabalho irmos à praia durante as manhãs, para fazermos uma adaptação ao clima. Passo o ano inteiro a jogar em Manchester e lá não faz tanto sol nem tanto calor. É uma diferença brutal. Já fazia parte do plano ir à praia para nos adaptarmos à humidade, ao calor e ao sol. É totalmente normal, não tem de passar nenhuma imagem de que passamos mais tempo na praia que no treino. De manhã fazemos a ida à praia e à tarde o treino normal."

Final com o Brasil: "Seria especial. Mas é o que for, quero é estar na final, seja contra quem for. Seria diferente e especial para mim, como todos sabem, mas no final quero é ganhar."

Quão difícil foi escolher Portugal em vez do Brasil? "Foi muito difícil tomar a decisão de escolher Portugal, porque também sou brasileiro. Sinto que sou os dois, português e brasileiro. Toda a gente me pergunta o tempo todo: 'És mais o quê, português ou brasileiro?' Sou igual. Sinto-me igual. Agora, em relação ao futebol, sinto que devo muito mais a Portugal do que ao Brasil, porque foi Portugal que me deu a oportunidade de ser quem eu sou hoje, abriu-me as portas. Foi onde vivi o período em que comecei a jogar futebol a sério, no Brasil joguei mais a brincar, nunca fui federado. Foi difícil, mas tenho muito orgulho de ter escolhido Portugal e sou muito feliz a jogar por Portugal. (...) Sinto que sou metade uma coisa e metade outra, nunca vai mudar."

Na eventualidade de um Portugal-Brasil, por quem torceriam os familiares de Matheus Nunes? "Vai ter de lhes perguntar. [risos] Os meus familiares no Brasil não me vão dizer isso, mas provavelmente iriam torcer pelo Brasil. A minha mãe acho que iria torcer por Portugal. Quando eu estava a escolher entre jogar por uma seleção ou por outra, a minha mãe teve uma opinião muito vincada daquilo que ela achava que era a seleção que eu devia escolher, então sei a opinião da minha mãe. Agora, em relação à minha família da parte do Brasil, acho que iam todos torcer todos pelo Brasil."

Há dez anos, tinha Cristiano Ronaldo já 31 anos, imaginava poder partilhar o balneário da seleção com ele? "Nunca imaginei jogar com o Cristiano. Há dez anos, eu estava na sexta divisão de Portugal. Para nós, é uma honra muito grande estar aqui com ele. Estamos todos felizes. Se pudermos ganhar o título por ele, seria uma grande coisa."

  • Fonte: Rádio Renascença
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