Por que é que os jovens evitam notícias?
- 16/06/2026 03:00
- Redação
Os portugueses estão a afastar-se do consumo de notícias. Sobretudo os mais novos.
Sim, continuam a confiar nas notícias, mais do que a média global, mas essa confiança está a cair.
Em Portugal, 51% das pessoas dizem confiar nas notícias em geral. A média global é de 37% - portanto, um valor muito acima.
Ainda assim, há uma tendência de declínio: há 10 anos, o nível de confiança nas notícias em Portugal era de 66%, o que significa uma descida de 15 pontos percentuais numa década.
Ou seja, Portugal mantém uma posição relativamente forte no contexto internacional, mas já não está imune ao desgaste que atinge o jornalismo em muitos países.
O estudo do Reuters Institute mostra que os públicos mais velhos, mais escolarizados e com rendimentos mais elevados continuam a confiar mais no jornalismo, enquanto os mais jovens revelam níveis de confiança substancialmente mais baixos.
O maior sinal de alerta é o evitar notícias. Um em cada três portugueses dizem que evitam notícias algumas vezes ou frequentemente; em 2017 era um em cinco.
Portanto, em menos de dez anos, o afastamento em relação à atualidade tornou-se muito mais visível. Sobretudo entre os jovens e no público feminino.
Portanto, as pessoas até podem valorizar o papel do jornalismo, mas sentem necessidade de se proteger da avalanche de informação.
Há uma preocupação com o que é verdadeiro e falso na Internet. Essa preocupação está muito presente.
Em Portugal, 76% dos inquiridos dizem estar preocupados precisamente com isso. A média global é de 62%.
Esta preocupação não é necessariamente um sinal negativo: o facto de os portugueses mostrarem tanta atenção ao problema pode indicar maior sentido crítico e uma distinção mais consciente entre jornalismo credível e conteúdos enganosos que circulam nas plataformas digitais.
A confirmar esse dado: entre os que mais confiam nas notícias, a preocupação com a desinformação sobe para 85%.