Confiança nas notícias. Chegar aos jovens é dos maiores desafios, diz investigador
- 16/06/2026 08:46
- Redação
O académico destaca que as gerações mais velhas continuam mais ligadas aos meios tradicionais, enquanto os mais jovens se informam cada vez mais através de plataformas digitais e de figuras fora do universo jornalístico.
“Gerações mais novas tendem, por um lado, a confundir mais conteúdo jornalístico com conteúdo de entretenimento e, por outro lado, a dar predominância a atores que não são do universo da produção jornalística”, como criadores de conteúdo no Youtube, Instagram e Tiktok, analisa o especialista.
Por isso, Luís Santos constata que, para estas gerações, “o valor específico do jornalismo está a mudar”. Uma tendência que será “muito complexa de inverter".
Ainda assim, há "duas respostas possíveis" para responder à mudança de paradigma, antecipa o investigador.
"Há dois caminhos. O primeiro, em que os media têm de ir procurar as audiências onde elas existem e têm de adotar as linguagens de outros territórios e outro, em que as empresas têm de mostrar a sua valia precisamente porque usam outras linguagens e outros métodos de chegar à informação", explana.
O especialista prefere não manifestar preferência por uma destas vias, uma vez que "estes assuntos não podem ser discutidos com uma visão de preto e branco”.
"Aquilo que é importante para a empresa A pode não ser nada relevante para a empresa B”, diz.
Esta necessidade de reinvenção surge num momento em que o mercado "está mais frágil que no passado", algo que para o investigador na Universidade do Minho limita a capacidade de inovação dos media.
“O facto de termos empresas jornalísticas muito fragilizadas do ponto de vista financeiro significa que também arriscam menos. Às vezes, quando arriscam, não corre bem e não têm escala para refazer a aposta. Isto fragiliza ainda mais a presença dos médias nacionais”, afirma.
Neste sentido, alegando a importância do jornalismo na saúde das democracias, Luís Santos defende apoios do Estado e Entidades supranacionais como a União Europeia. Um modelo que rejeita ser um convite à interferência no trabalho editorial.
"O que está em cima da mesa, por exemplo, é a União Europeia ter uma posição muito mais robusta relativamente às grandes plataformas, conseguir que entreguem parte dos seus rendimentos a quem produz os conteúdos, é a implementação de planos que fomentem a assinatura de trabalho jornalístico por parte das gerações mais novas, com a atribuição de um subsídio direto aos indivíduos e não às empresas", termina.