Acaba como começa? O retrato de todas as estreias de Portugal nos Mundiais

Acaba como começa? O retrato de todas as estreias de Portugal nos Mundiais

  • 16/06/2026 11:00
  • Redação

A estatística não entra em campo, mas certamente marca a história. E a da nossa seleção, além das quatro vitórias, tem inscrita duas derrotas e dois empates.

Muito se escreve e diz sobre a importância de entrar a ganhar num torneio curto. As razões são várias: dá confiança, embala a equipa, retira a pressão para os jogos seguintes e mostra credenciais aos adversários. Mas olhando para o legado da seleção podemos dizer que entrar a ganhar significa uma boa prestação? A resposta é de “X” no Totobola: sim e não.

É verdade que as duas melhores participações de Portugal em Campeonatos do Mundo, nas quais alcançou o 3º lugar (Inglaterra 1966) e o 4º (Alemanha 2006), começaram com duas vitórias.

Mas a equipa das quinas também já começou a ganhar, e logo por 1-0 frente à toda poderosa Inglaterra e cair da competição na fase de grupos. No México, em 1986, um golo que combinou a genialidade de Diamantino e Carlos Manuel não livrou o futebol português de escrever uma das suas páginas mais negras.

E nem foi o 'pantera negra' a marcar, José Augusto por duas vezes e o “bom gigante” Torres fizeram as honras da casa. Resultado final: 3-1.

Nesse Mundial, Portugal ainda havia de bater a Bulgária, o Brasil de Pelé, e marcar a história da competição com a remontada contra a Coreia do Norte. A equipa das quinas perdia por 0-3, num jogo épico que acabou com um saboroso 5-3.

A ânsia de tocar o Olimpo, caiu no mítico Wembley, em Londres, com o também icónico Bobby Charlton a desafazer o sonho de Eusébio e companhia. O avançado inglês marcou por duas vezes e o tento de penálti de Eusébio de nada valeu. Portugal bateria a União Soviética por 2-1 e conquistou o último lugar do pódio.

A “Geração de Saltillo”, comandada por um dos heróis de 1966, José Torres, depois da vitória empolgante frente à armada inglesa liderada por Gary Lineker, sucumbiu perante a Polónia e Marrocos. O futebol português entraria numa depressão profunda ao nível de seleções.

Um verdadeiro inverno futebolístico que durou mais 14 anos, e que foi o último grande hiato nas participações de Portugal nesta competição. Em 2002, na Coreia do Sul, uma equipa ainda com muitos elementos da geração de ouro que em 1990 tinha ganho o Mundial de Sub-20, em Lisboa, entra em campo contra os EUA. Mas perde. O placard final registou um 2-3.

Menos mediático do que Saltillo, o estágio em Macau também teve muita polémica, e depois dessa derrota com os norte-americanos, Portugal ainda goleou a Polónia por 4-0, com um hat-trick do ciclone dos Açores, Pauleta.

Quatro anos depois, tudo foi melhor na Alemanha. É o ano da segunda melhor participação de sempre da seleção nacional. E começa em Colónia, com uma vitória sobre Angola. Num confronto da lusofonia, Pauleta fez o golo solitário da equipa de Scolari. O brasileiro eternizou a referência a "Nossa Senhora do Caravaggio", numa junção pouco habitual entre futebol e fé.

Irão, México, Países Baixos e Inglaterra foram também vítimas lusas. Na fase do mata-mata, como Scolari dizia, o carrasco de Portugal, nas meias-finais, foi a inevitável França, através do inevitável Zinedine Zidane e de uma grande penalidade, uma fórmula que já havia sido usada contra os portugueses no Euro 2020 (lembra-se da mão de Abel Xavier e do penálti de Zizou?). Na atribuição dos 3º e 4º lugares, Portugal perdeu com os anfitriões por 1-3.

Avançamos para 2010, na África do Sul, onde o som das vuvuzelas marcou o ritmo do empate a zero com os africanos da Costa do Marfim. Portugal teve nesta competição a maior vitória de sempre num Mundial, os 7-0 à Coreia do Norte.

Mas no Green Point, da Cidade do Cabo, o espanhol David Villa, aos 63 minutos, arrasou as ilusões nacionais. A saída fica ainda marcada pela reação de Cristiano Ronaldo que no final do jogo, quando questionado sobre as razões da derrota, disparou: “Perguntem ao Carlos Queiroz”.

Mais quatro anos e um cenário também quente, no Brasil. A equipa lusa foi, nessa altura, trucidada em Salvador da Baía pela poderosa Alemanha. Foi a maior derrota de sempre em fases finais do Mundial. Quatro golos sem resposta. O ‘panzer’ Muller marcou por três vezes. O central Pepe foi expulso quase a acabar a primeira parte por agressão precisamente ao avançado do Bayern, quando a equipa nacional já perdia por 0-2.

Foi o prenúncio da hecatombe que veio a seguir. Portugal caiu na fase de grupos depois de mais uma vez não ter conseguido ganhar aos EUA (2-2), numa fase final, e ter vencido ao Gana por 2-1. Uma vitória que foi de pouco consolo.

Nos dois últimos Mundiais, em 2018, na Rússia, a seleção abriu com um empate com Espanha e um hat-trick de Cristiano. No Qatar, há quatro anos, Ronaldo também marcou, mas aí para uma vitória. Um 3-2, mais uma vez com um cliente habitual dos portugueses, o Gana.

Nas duas edições, apesar de começar com resultados diferentes, Portugal chegou à segunda fase da competição. Na Rússia, saiu depois de derrotada pelo Uruguai e no Qatar foi o surpreendente Marrocos a eliminar os portugueses, nos quartos de final.

  • Fonte: Rádio Renascença
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