Vem aí a estreia de Portugal: que equipa lançará Martínez e o que esperar da RD Congo?

Vem aí a estreia de Portugal: que equipa lançará Martínez e o que esperar da RD Congo?

  • 16/06/2026 14:44
  • Redação

Quatro anos volvidos, no icónico Nelson Mandela Bay Stadium, de Port Elizabeth, na África do Sul, Costa do Marfim e a turma portuguesa assinaram um pacto de não agressão em forma de 0-0. Em 2022, ainda com Fernando Santos, deu-se uma estreia sofrida mas feliz face à seleção do Gana (3-2), com golos de Cristiano Ronaldo, Rafael Leão e João Félix.

No entanto, a fase de qualificação com exibições dubitativas, a falta de riqueza no ataque posicional e o excesso de atenção às características dos adversários antes de cada jogo fazem com que ainda exista alguma desconfiança em relação a Martínez, reforçando que a qualidade de jogo na única fase final disputada — Euro 2024 — não foi esplendorosa (a melhor partida até foi frente à França, na noite da eliminação).

Focando apenas nesta partida de estreia, ficam certezas e dúvidas: na baliza, Diogo Costa é nome garantido.

A linha defensiva apresenta questões. À direita, há quatro opções, sendo que João Cancelo parte na pole-position (com Dalot e Nélson Semedo como alternativas principais e Matheus Nunes como 4ª via, apesar da época imponente na posição no Man. City). Do outro lado, Nuno Mendes será indiscutível, a menos que a condição física aconselhe cautela — e aí João Cancelo entraria para o lado esquerdo.

Ao centro, Rúben Dias tem treinado com cuidados, mas é prioritário no centro-direita, sendo que o parceiro poderá ser Renato Veiga — atendendo às dificuldades em duelos defensivos exibida por Gonçalo Inácio no teste mais recente, frente à Nigéria. Talvez não fosse má ideia equacionar lançar Tomás Araújo, pela fiabilidade e velocidade no controlo da profundidade, apesar de Martínez poder privilegiar a escolha de um central canhoto.

No corredor central, o eixo Vitinha-João Neves-Bruno Fernandes + Cristiano Ronaldo parece intocável e as dúvidas adensam-se nas posições a partir dos corredores laterais ofensivos.

À direita, Trincão deixou ótimos sinais face aos nigerianos, mas tem a concorrência de Francisco Conceição e de Bernardo Silva, sendo que o agora ex-citizen é cada vez mais um médio de corredor central. Do lado esquerdo, há perfis distintos na equação: Pedro Neto parte em vantagem, não tanto pelo golo no último jogo de preparação, mas mais pela acutilância e pelo compromisso defensivo e capacidade de pressão (frente a Wan-Bissaka, poderá ser algo fundamental na perspetiva de Martínez). João Félix, num perfil bem diferente ou Rafael Leão são outras possíveis escolhas.

E o que esperar da RD Congo? Uma seleção habitualmente compacta no momento sem bola, que cede a iniciativa ao adversário, mas que apresenta algumas fragilidades perante oponentes de circulação mais rápida e que façam movimentos de rutura na última linha.

Levanta-se a dúvida sobre o sistema a escolher por Sébastien Desabre (no recente particular com a Dinamarca, lançou um 5-3-2, mas é mais habitual o 4-1-4-1/4-5-1 ou até uma derivação para o 4-4-1-1).

Com bola, o perigo maior vem das arrancadas de Wissa ou Bakambu na frente, com o primeiro a destacar-se pela alternância de movimentos, ataque ao espaço e boa definição técnica.

Nas alas, há também nível criativo (Mbuku, Bongonda ou Elia), Moutoussamy sustenta o meio-campo e baixa para ativar o passe longo, com os interiores Mukau e Sadiki a mostrarem boa capacidade de transporte de bola. A grande dúvida será no lado direito do ataque, entre Elia ou Bongonda, enquanto Mbuku até joga mais a partir da esquerda.

Mbemba e Tuanzebe formam uma dupla de centrais sólida, capacitada no jogo aéreo nas duas áreas e os laterais Wan-Bissaka (vitalidade defensiva e boas arrancadas para o ataque) e Masuaku (capacidade de cruzamento) são também, na globalidade, símbolos de consistência e competitividade. Em termos individuais, o guardião Mpasi talvez seja o jogador menos credenciado (suplente do Le Havre), mas conta com experiência em fases finais de CAN.

O favoritismo é português, mas a RD Congo é claramente uma das seleções africanas de classe média com uma evolução competitiva mais acentuada nos últimos anos.

Será necessário que a turma de Martínez seja mais acutilante nos movimentos ofensivos, ameaçando com mais contramovimentos a última linha rival e que, ao mesmo tempo, saiba preservar a capacidade para ganhar duelos defensivos em campo aberto. Não esquecendo a variabilidade na bola parada ofensiva (crédito ao trabalho de Austin McPhee e André Reis) e a eficácia a defender cantos e livres favoráveis aos congoleses.

  • Fonte: Rádio Renascença
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