Inteligência Artificial "é um tema que os cristãos têm de conhecer"
- 16/06/2026 15:16
- Redação
D. Virgílio Antunes reforçou o que foi dito ao longo destes dois dias, na presença de 34 bispos portugueses, apelando a que o tema da IA seja levado a todas as dioceses. “Este é um tema da humanidade e é também um tema da Igreja. É um tema que os cristãos têm de conhecer. Têm de saber quais são as possibilidades e os limites. Mas faz parte de nós e, portanto, tem de ser um assunto tratado, refletido, conhecido, para que seja bem utilizado ao serviço daquilo que é a missão da Igreja e do anúncio do Evangelho”.
Alertando para a necessidade de maior “literacia digital” e conhecimento sobre IA, o texto salienta que os avanços tecnológicos obrigam “a passar de uma presença digital ocasional para uma estratégia pastoral integrada”, lembrando sempre que “nenhum algoritmo substitui o rosto humano, nenhuma máquina substitui a comunidade, nenhuma automatização substitui o discernimento, nenhuma eficácia substitui o amor”.
É pelas 19h00 que termina mais uma edição das Jornadas Pastorais do Episcopado, num total de 100 participantes, entre bispos, padres e leigos convidados pelas dioceses.
Focando-se na relação entre espiritualidade e Inteligência Artificial, a presidente do Instituto de Estudos Avançados em Catolicismo e Globalização veio defender que a Inteligência Artificial pode ajudar no desenvolvimento da espiritualidade de cada um, mas para isso a própria dimensão espiritual tem de estar já bem explorada a priori – de forma a ser capaz de detetar erros das máquinas.
“Todo o batizado é chamado a fazer esse desenvolvimento espiritual”, referiu Eugénia Abrantes, uma das conferencistas deste segundo e último dia, alertando que sem “critérios espirituais” não é possível “fazer uma análise crítica e refletida” sobre a informação que é fornecida pela IA. “Essa Inteligência Artificial pode dar uma série de elementos importantes, mas não os sei simplesmente utilizar, porque a minha dimensão é de tal maneira pobre que não consigo tirar as maiores potencialidades que, também neste campo, a Inteligência Artificial pode, obviamente, favorecer e dar para o desenvolvimento espiritual”, salientou.
A metáfora escolhida foi a de uma pérola, transformada a partir de material orgânico para algo muito valioso dentro de uma concha. “Quando eu identifico elementos que são nocivos, tóxicos, que não são eticamente válidos, o que eu posso fazer, nesta dita dimensão espiritual bem desenvolvida e numa dimensão espiritual sã, é envolver esses elementos tóxicos e transformá-los em elementos válidos para a humanidade”.
Noutra tópico dentro dos avanços tecnológicos, Octávio Carmo defendeu a necessidade de ser criado um manual de pastoral digital. “A inteligência artificial já é uma realidade para todas as comunidades, católicas ou não, e é importante que ela não entre de forma completamente desregulada no dia a dia das pessoas e no dia a dia das comunidades católicas”.
O jornalista da Agência Ecclesia, que trouxe para a apresentação vários exercícios práticos de como falar e fazer pedidos à Inteligência Artificial presente no mundo online, alertou ainda para os perigos de uma “verdade probabilística” gerada por estas máquinas (mesmo quando não sabem como responder às petições dos utilizadores). “Tem um desafio claro: a verdade do ponto de vista teológico e espiritual, se quisermos, católico, não é a maior probabilidade”, sublinhou.
O segundo dia arrancou, pela manhã, com o tema “comunicação da fé em ambiente digital”, tendo como orador Juan Narbona, professor na Faculdade de Comunicação Social na Pontifícia Universidade de Santa Cruz. Da parte da tarde os trabalhos, com foco na “relação entre tecnologia, espiritualidade e teologia”, estiveram a cargo dos já referidos Eugénia Abrantes, presidente do Instituto de Estudos Avançados em Catolicismo e Globalização, e Octávio Carmo, jornalista da Agência Ecclesia, mas ainda de João Manuel Duque, professor da Universidade Católica Portuguesa.
Nesta quarta-feira, dia seguinte a este encontro, os bispos portugueses reúnem-se ainda em Assembleia Plenária Extraordinária. Entre os temas previstos em agenda está “a reflexão sobre as orientações futuras da Igreja em Portugal no âmbito da Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis”, incluindo a continuidade, ou não, do funcionamento do Grupo VITA, liderado por Rute Agulhas. Serão ainda homologadas as Comissões Episcopais para o triénio 2026-2029 – depois das eleições que ocorreram em abril. Não estando prevista conferência de imprensa, a Conferência Episcopal Portuguesa informa que as conclusões serão divulgadas em comunicado.