Nova Zelândia tem a primeira dupla mãe-filho a participar em Mundiais
- 16/06/2026 15:05
- Redação
Numa fotografia tirada após um jogo do Mundial 2007, Jenny Bindon posa com o filho Tyler, de dois anos. Era a primeira participação da guarda-redes neozelandesa numa fase final do torneio, a que voltaria em 2011. Passaram-se 19 anos dessa foto. Jenny pendurou as luvas, Tyler seguiu os passos da mãe e, no Irão-Nova Zelândia, os Bindon tornaram-se na primeira dupla mãe-filho a jogar em Mundiais.
Jenny nasceu em Shiloh, nos Estados Unidos, e foi lá que cresceu a fazer desporto: basquetebol, voleibol, softball, ténis — não futebol. Foi na universidade que teve o primeiro contacto com o futebol, embora tenha seguido carreira como guarda costeira e não como atleta.
O futebol só regressou à vida de Jenny em 1998, quando ela já tinha 25 anos. Foi depois da experiência na guarda costeira dos EUA, quando decidiu voltar à universidade. Também aí, conheceu o marido, Grant Bindon, antigo capitão da seleção neozelandesa de voleibol. Mudaram-se para a Nova Zelândia e Jenny adquiriu cidadania neozelandesa por via do casamento.
A estreia pelas "Ferns" chegaria em fevereiro de 2004, diante da Austrália. Jenny estava a uma semana de completar 31 anos de idade. Três anos mais tarde, aos 34, em 2007, estreou-se num Mundial. Após uma partida da prova, posou com o filho Tyler, que na altura tinha apenas dois anos, para uma foto que entraria na história.
Participou também nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 e, aos 38 anos, representou a Nova Zelândia no Mundial 2011, o último da sua carreira. Três anos depois, ainda disputou os Jogos de Londres 2012 — aos 39 anos, era a atleta mais velha do torneio de futebol feminino.
Em fevereiro de 2014, uma década depois da estreia pela seleção neozelandesa, Jenny Bindon terminou a carreira. Para trás, ficaram 77 internacionalizações e várias memórias de partilhas com o filho Tyler. Mal imaginaria que, passado 12 anos, seria ela a ver o filho estrear-se num Campeonato do Mundo.
Já lá vamos. Hoje em dia, Jenny Bindon é treinadora adjunta. Depois de ter passado pelo futebol inglês (London City Lionesses, Arsenal, Reading), integra agora a equipa técnica da seleção feminina da Nova Zelândia. Logo ao lado, pode ver o filho treinar.
Tyler Bindon é central. Como a mãe, tem dupla nacionalidade neozelandesa e norte-americana. Começou nas escolas de formação na Nova Zelândia, antes de se mudar para Los Angeles, EUA, porque Jenny acabara de assumir o comando da equipa feminina de futebol da UCLA. O filho entrou na academia do LAFC e só saiu seis anos depois, quando foi contratado pelo Reading, de Inglaterra (um ano antes da mãe).
Logo na primeira temporada com os "royals", com 19 anos, Tyler destacou-se com dois golos e uma assistência em 44 jogos, na terceira divisão inglesa. O Nottingham Forest comprou-o, mas manteve-o cedido no Reading. Bindon melhorou os números: três golos em 47 partidas. Na época 2025/26, o patamar subiu — o jovem foi emprestado ao Sheffield United, da II Liga inglesa, e fez um golo em 26 jogos.
A estreia pela seleção principal da Nova Zelândia chegou em outubro de 2023, já depois de ter feito um jogo pelos sub-19 dos EUA. Em 2024, foi eleito o melhor jogador jovem do ano do seu país e ainda participou nos Jogos Olímpicos. E como, após a participação nas Olimpíadas, ainda faltava palmilhar mais um passo da mãe, dois anos mais tarde chegou a chamada para o primeiro Campeonato do Mundo.
Tyler Bindon não foi titular diante do Irão, na primeira jornada do Grupo G do Mundial 2026. Entrou aos 91 minutos, para o lugar de Marko Stamenic. Ainda assim, bastou para fazer história. Ele e e Jenny Bindon tornaram-se na primeira dupla de mãe e filho a jogar em fases finais do Campeonato do Mundo pelo mesmo país.