Batalha contra o passado. Argentina inicia defesa do título no Mundial 2026
- 16/06/2026 16:02
- Redação
É na madrugada desta terça para quarta-feira que a Argentina entra pela primeira vez em campo no Mundial 2026. Na batalha rumo à revalidação do título, Lionel Messi e companhia enfrentarão não só os adversários, como duas "maldições" que, no papel, ditam que a "albiceleste" não será novamente campeã do mundo.
Desde 1962, há 64 anos, que um pais não se sagra bicampeão. O último foi o Brasil, que vencera quatro anos antes (1958) e, no Chile, derrotou a extinta Checoslováquia na final, por 3-1. Desde então, outras seleções voltaram à final do Campeonato do Mundo, mas nenhuma conseguiu levantar a taça pela segunda vez consecutiva.
A Argentina tentará ser a terceira seleção a conseguir esse feito. Antes do Brasil, em 1962, também a Itália tinha bisado, em 1934 e 1938. Mais ninguém o fez.
Inglaterra foi campeã do mundo em 1966, mas ficou pelos quartos de final quatro anos depois. Em 1970, foi a vez do Brasil, que seria quarto classificado na edição seguinte. Ganhou a Alemanha Ocidental em 1974 — e a seguir não passaria da segunda fase de grupos. A campeã em 1978 foi a Argentina, que ficou em último na segunda fase de grupos em 1982, o ano em que foi coroada a Itália.
A própria "albiceleste" já teve oportunidade de chegar ao bis, em 1990. Quatro anos depois da vitória em 1986, em que Diego Armando Maradona tocara o céu com a "Mão de Deus" e um dos melhores golos da história dos Mundiais, os argentinos não conseguiram superar a Alemanha Ocidental na final de 1990. Perderam por 1-0.
Quem se sagrou campeão do mundo em 1994 foi o Brasil, numa final ganha à Itália. A equipa de Cafú, Roberto Carlos, Rivaldo e Ronaldo, entre tantos outros, regressou à final em 1998, no entanto, perdeu para a França de Zidane, Thuram, Desailly, Lizarazu, Petit, Djorkaeff, Vieira e do atual selecionador: Didier Deschamps.
O Brasil voltou a triunfar em 2002, porém, quem ganhou em 2006 foi a Itália. Em 2010, a Espanha. Em 2014, a Alemanha. Em 2018, a França voltou a triunfar, ao cabo de 20 anos, com Deschamps como selecionador, cargo que mantém até hoje.
Quatro anos depois, no Qatar, os franceses regressaram à final. Perderam nos penáltis com a Argentina, num torneio glorioso de Messi, que tentará ajudar a "albiceleste" a fazer o que não é feito há 64 anos: ser bicampeão do mundo.
Este não é o único registo que joga contra a Argentina. Há outro: a "maldição" do líder do ranking da FIFA, que dura desde 1994, dois anos após a sua criação.
A Alemanha chegou aos EUA como número 1, em 1994, e foi eliminada nos quartos de final. O Brasil aterrou em França, em 1998, com o respaldo da liderança da hierarquia mundial — caiu perante o anfitrião. Em 2002, a França saltou fora na fase de grupos. O Brasil entrou nos Mundiais 2006 e 2010 como primeiro classificado do ranking FIFA e, em ambas as edições, ficou pelos quartos de final.
Em 2014, a Espanha chegou ao Brasil como campeã do mundo e líder do ranking. O resultado? Perdeu dois jogos na fase de grupos e despediu-se de forma prematura. Uma história repetida em 2018 pela Alemanha, que também caiu na fase de grupos.
Por fim, em 2022, novamente o Brasil, a maior vítima desta "maldição" do ranking FIFA. A "canarinha" chegou ao Qatar como número 1 do mundo, segundo a hierarquia, e saiu de cena nos quartos de final, derrotada pela Croácia.
E agora, Argentina? Conseguirá a seleção das "pampas" contrariar a história de duas "maldições" e, com o cetro de 2022 numa mão e a liderança do ranking FIFA noutro, sagrar-se bicampeã mundial? A defesa do título arranca a partir das 2h00 da madrugada desta terça para quarta-feira, frente à Argélia.