Herman José: "Os grandes erros da minha vida cometi-os por não ter procurado um advogado"

  • 17/06/2026 02:00
  • Redação

Foi perante uma plateia repleta de advogados, na Aula Magna, em Lisboa, que no passado dia 12 de junho (dia em que a Ordem dos Advogados assinalou o centenário) se refletiu sobre o que se quer da advocacia, o que distingue os melhores profissionais e que desafios para o futuro.

“Os grandes erros da minha vida cometi-os precisamente por não ter procurado advogado, por orgulho, por provincianismo e, se calhar, porque nós, a certa altura, começamos a gostar tanto de nós próprios, que achamos que somos autossuficientes”, sublinha Herman José.

Convidada a partilhar também a sua experiência, Fátima Lopes afirmou ter contactado já com advogados diferentes pelas mais diversas razões pessoais e profissionais. Há uma qualidade que diz é fundamental para um cliente.

“É muito, muito importante nós sabermos escolher o advogado com quem queremos fazer equipa na vida. Acho que a empatia é uma grande ferramenta e ela é muito importante. Obviamente que, em algumas situações, é preciso um certo grau de frieza e de distanciamento, porém, ter alguma frieza não quer dizer não ter empatia.”

E como será com a Inteligência Artificial (IA), que foi apontada como sendo um dos maiores desafios no futuro?

A apresentadora afirmou que “a Inteligência Artificial é uma ferramenta, ou pode ser, uma ferramenta muito útil, inclusive para a advocacia, mas importa legislar sobre o seu uso seu uso”, acrescentando que acredita que não vai substituir “um olhar frente e frente numa conversa”.

Também o ator Rui Melo, encenador da peça “Sr. Engenheiro, Alegadamente um Musical”, considera “fundamental balizar o seu uso, podendo acabar com tarefas burocráticas que roubam tempo importante à missão de ser advogado, principalmente quando se fala em pilhas de processos”.

Herman José vê a presença de advogados em painéis explicativos nas televisões como sendo “essencial, maravilhoso e profundamente didático”.

“É essencial que, já que vários órgãos de soberania vivem em silêncio, e escondidos debaixo de um grande diáfano de mistério, que haja depois uma classe como os advogados que vem explicar as coisas, em voz alta, e até fazer-nos abrir os olhos para certas realidades que são essenciais, que, finalmente, passamos a conhecer”, afirma o humorista.

A presença do advogados no espaço mediático tem outro aspeto positivo. “Há uns anos a Justiça era completamente um bicho de sete cabeças, ninguém se atrevia a falar de nada sequer”, recorda.

Já Rui Melo lembra que se trata de uma profissão “que existe para servir o povo".

"Se encontrarmos forma, seja através da televisão, seja através de podcasts, de aproximarmos o direito às pessoas, então acho que isso é extraordinário. Acho que é importante”, afirma.

E o que deve afinal mudar na advocacia? O ator é rápido a apontar o dedo: “as cartas que vocês escrevem, perco interesse a meio, a eloquência é admirável, mas estão a falar com quem não domina. Palavras e frases como lá vêm escritas às vezes levam a maiores confusões que esclarecimentos”. Posição subscrita por Fátima Lopes.

Herman José é claro na resposta: “eu gostava muito que a intensidade e a qualidade do escrutínio que a classe dos advogados sofre constantemente fosse alargada aos restantes agentes da justiça pública”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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