Leão XIV sobre o sucesso da visita a Espanha: “Isto não era garantido e merece uma reflexão”

Leão XIV sobre o sucesso da visita a Espanha: “Isto não era garantido e merece uma reflexão”

  • 17/06/2026 05:53
  • Redação

O Papa dedicou a catequese desta quarta-feira à recente visita a Espanha e mostrou-se “grandemente consolado” com a alegre manifestação da fé e do afeto dos espanhóis. “Como bispo de Roma, incentivei-os a superar toda a forma de divisão e contraposição, cultivando sempre a comunhão, o diálogo e a unidade na diversidade”, afirmou.

“Por toda a parte, encontrei multidões a acolher-me com grande calor. Isto não era algo garantido e merece uma reflexão. Naturalmente, essa participação exprime, antes de mais, a fé do povo espanhol; ao mesmo tempo, creio que demonstra a necessidade generalizada de estarmos unidos num fundamento verdadeiro e profundo, não ideológico nem de interesse parcial. Esse fundamento, que só Cristo, em última instância, pode assegurar e que o Evangelho, através das necessárias ‘inculturações’, pode transmitir à vida dos povos, responde plenamente a estas duas necessidades: a busca da verdade e a sede de justiça”.

Sem se referir ao discurso que proferiu no Parlamento, o Santo Padre diz ter percebido, ao longo dos vários encontros, “a necessidade de ouvir, na voz do Papa, o Evangelho da esperança para a nossa humanidade de hoje”, duramente provada pelas consequências negativas de um modelo de desenvolvimento enganador.

E acrescentou que esta necessidade se expressou nos muitos testemunhos que ouviu: “testemunhos por vezes comoventes, por vezes edificantes e, sobretudo, nos rostos das crianças e dos pobres que encontrei: da criança que, na paróquia, me leu a sua carta; de algumas vítimas de abuso, que pedem para ser ouvidas; dos reclusos que me esperavam na prisão; dos jovens cheios de inquietude e de projetos; dos migrantes nos centros de acolhimento nas Ilhas Canárias”.

Entre as várias etapas da visita, o Papa considerou a basílica da Sagrada Família um “símbolo majestoso, uma sinfonia de pedra e luz que fala a todos do mistério cristão”. E acrescentou que “este encontro entre o antigo e o moderno, entre a tradição católica e a cultura contemporânea, fez-me perceber ao vivo o carácter próprio da Europa, a sua riqueza inestimável, como realidade atual, não ultrapassada”.

Para Leão XIV, trata-se de “um património a guardar com cuidado”, para poder investi-lo no hoje global, com os seus desafios epocais: “a paz, a ecologia integral, o desenvolvimento equitativo e sustentável e o respeito pela dignidade humana”, desafios que o Concílio Vaticano II já tinha reconhecido “e sobre os quais o Magistério subsequente voltou a incidir, até à minha recente Encíclica ‘Magnifica humanitas’, que visa proteger a pessoa humana na era da inteligência artificial”.

Sobre a última etapa, nas Ilhas Canárias, o Santo Padre reafirmou que “o fenómeno migratório é complexo e requer planos de ação orgânicos e concertados”.

“Mas esta visão abre uma perspetiva diferente e mais ampla: faz-nos compreender como somos chamados a reler o Evangelho no mundo de hoje, trocando os dons das nossas respetivas culturas e, em particular, os frutos produzidos nelas pela fecundidade da mensagem de Cristo.”

Disse ainda que “um desses frutos é o diálogo entre as pessoas e entre os povos, o encontro num espírito de fraternidade”, que permite descobrir e apreciar mutuamente os valores de que o outro é portador.

Por fim, Leão XIV reconhece que “este caminho não é fácil, requer boa vontade e a ajuda de Deus, mas é o caminho que conduz à civilização do amor”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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