Mundial de Futebol junta 48 países, mas 14 continuam marcados por perseguição ou discriminação religiosa

Mundial de Futebol junta 48 países, mas 14 continuam marcados por perseguição ou discriminação religiosa

  • 17/06/2026 06:08
  • Redação

Enquanto os adeptos acompanham o Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, que decorre nos Estados Unidos, México e Canadá até 19 de julho, uma análise da Fundação AIS (Ajuda à Igreja que Sofre) chama a atenção para uma realidade menos visível: 14 dos 48 países participantes enfrentam problemas graves relacionados com a liberdade religiosa.

Segundo o mais recente Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, três dessas nações são classificadas como locais de perseguição religiosa e outras onze registam níveis significativos de discriminação contra comunidades de fé.

A situação mais preocupante verifica-se no Irão, na Arábia Saudita e na República Democrática do Congo. Nos dois primeiros países, sistemas jurídicos baseados em interpretações rigorosas do Islão impõem fortes restrições à liberdade religiosa, sobretudo para convertidos e grupos religiosos não reconhecidos. Em alguns casos, a violação dessas normas pode resultar em prisão ou mesmo na aplicação da pena de morte.

Já na República Democrática do Congo, a preocupação centra-se na violência persistente no leste do país, onde grupos jihadistas ligados às chamadas Forças Democráticas Aliadas têm intensificado ataques contra populações civis e comunidades religiosas.

Entre os anfitriões do Mundial, o México surge igualmente assinalado no relatório. Embora disponha de garantias legais de liberdade religiosa, a presença do crime organizado em várias regiões do país tem colocado sacerdotes, agentes pastorais e líderes religiosos sob ameaça constante. Em diversas zonas, os cartéis da droga procuram controlar a vida das comunidades locais, recorrendo à intimidação e à violência.

A situação do Haiti é considerada ainda mais grave. O país vive uma profunda crise de segurança, com extensas áreas sob controlo de gangues armados responsáveis por sequestros, assassinatos e ataques contra responsáveis religiosos. A instabilidade é tal que apenas um dos 26 jogadores convocados para a seleção haitiana vive atualmente no país.

O relatório destaca ainda vários países participantes do Mundial onde a liberdade religiosa continua condicionada, entre os quais Marrocos, Tunísia, Argélia, Jordânia, Catar, Egito e Turquia.

Nestas nações, as minorias religiosas — incluindo cristãos, bahá’ís e algumas comunidades muçulmanas — enfrentam frequentemente obstáculos à prática da sua fé, resultantes tanto de limitações legais como de pressões sociais e culturais.

Também o Uzbequistão continua sob observação devido aos mecanismos de controlo estatal sobre a atividade religiosa, que afetam diferentes grupos confessionais, incluindo membros da maioria muçulmana.

Entre os países referidos pela AIS, o Iraque surge como um caso particular. Apesar de anos de perseguição e discriminação contra cristãos e outras minorias religiosas, a seleção nacional tornou-se um símbolo de convivência entre diferentes comunidades.

A equipa reúne jogadores de diversas origens étnicas e religiosas, incluindo árabes, curdos, xiitas e sunitas. Quatro dos atletas convocados são cristãos, uma presença considerada significativa num país onde esta comunidade representa atualmente menos de 1% da população.

Para Marta Petrosillo, editora-chefe do Relatório de Liberdade Religiosa no Mundo da Fundação AIS, citada em comunicado, o torneio constitui uma oportunidade para recordar que milhões de pessoas continuam privadas de um direito humano fundamental.

Dos relvados às realidades sociais e religiosas dos países participantes, o Mundial de 2026 mostra que, para milhões de pessoas, a liberdade continua a ser um desafio muito para além do futebol.

  • Fonte: Rádio Renascença
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