Mboladinga. O "homem estátua" do Congo que tem como missão impedir golos dos adversários
- 17/06/2026 06:23
- Redação
Mboladinga é o adepto mais famoso da seleção congolesa, que na tarde desta quarta-feira defronta Portugal no primeiro jogo do Grupo K. Nas bancadas, ele nunca passa despercebido. Durante os 90 minutos, vestido com fatos coloridos e mão levantada, mantém uma pose estática e um olhar impenetrável durante todos os jogos.
“Tal como Lumumba sacrificou a vida pelo nosso país, o meu [sacríficio] é um pequeno preço a pagar, tendo em conta quanto me preocupo profundamente com esta equipa”, acrescentou.
Lumumba é Patrice Lumumba, primeiro-ministro fundador do seu país, que foi assassinado numa conspiração liderada pela Bélgica em 1961. A ligação a esse símbolo de resistência nacional é tanta que “Lumumba Vea”, a alcunha de Mboladinga, significa "Lumumba Vive".
Ao “WSJ" disse acreditar que através da sua performance mística pode evitar golos das equipas adversárias quando “levanta as mãos, entoa cânticos e inicia o seu ritual”.
A fama do homem estátua tornou-se planetária durante a última CAN em que as redes sociais viralizaram a imagem deste adepto.
E os jogadores da seleção da República Democrática do Congo também não ficam indiferentes a Mboladinga. "Eles amam-no muito", disse Véron Mosengo-Omba, presidente da Federação Congolesa de Futebol. “Mboladinga é um símbolo nacional de resiliência e orgulho”, acrescentou.
Os fãs da seleção também adoram o adepto mais famoso do país. "É um símbolo que adoramos, vem das raízes", afirma o também adepto Chris Mantanta, ao "The Athletic”.
“Ele está num pedestal e o facto de ser reconhecido a nível mundial ajuda-nos a perceber que somos algo especial" contou Mantanta.
No entanto, Mboladinga não deve estar esta quarta-feira em Houston no jogo contra a seleção portuguesa. Ficou retido em Liège, na Bélgica, quando a seleção viajou para os Estados Unidos, devido a problemas para obter o visto.
O surto de ébola complicou a obtenção do visto, pois viajou da RD Congo para a Bélgica no dia 2 de junho, não tendo ainda cumprido os 21 dias de quarentena.