200 mil tesouros guardados durante séculos: Universidade do Porto abre ao público um património extraordinário

200 mil tesouros guardados durante séculos: Universidade do Porto abre ao público um património extraordinário

  • 17/06/2026 07:25
  • Redação

O Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto assinala um marco histórico com a exposição “Maravilhário – Doações ao Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto”, que reúne parte das cerca de 200 mil peças recebidas através de doações ao longo de mais de três séculos. A mostra abre ao público esta quarta-feira, às 18h00, e pode ser visitada até 20 de setembro, no Pólo Central do Museu, instalado no edifício da Reitoria da Universidade do Porto.

Segundo a organização, a exposição celebra o papel decisivo de centenas de doadores — particulares e instituições — na construção de um dos mais relevantes acervos científicos, culturais e naturais do país. O espólio integra coleções reunidas desde o final do século XVIII até à atualidade, abrangendo áreas tão diversas como a zoologia, botânica, geologia, paleontologia, arqueologia, etnografia e artes.

“Maravilhário é uma exposição que celebra e reconhece o ato de doar como peça fundamental na construção, consolidação e ampliação das coleções do Museu de História Natural e da Ciência”, afirma Fátima Vieira, vice-reitora para a Cultura e Museus da Universidade do Porto, citada em comunicado.

A responsável sublinha ainda que “ao colocar muitas das suas peças em exposição, a Universidade do Porto quer sublinhar que a sua gratidão para com os doadores não se esgota na preservação e valorização do património científico, cultural e natural que recebeu: traduz-se também na partilha com um público alargado”.

Entre os milhares de exemplares conservados pelo museu destacam-se cerca de 125 mil insetos, 40 mil moluscos, 39 mil espécimes de herbário, 5.500 exemplares de árvores e arbustos, 4.450 aves, 2.500 aracnídeos, 1.150 fósseis, 1.650 objetos etnográficos e 1.550 peças arqueológicas.

O acervo inclui ainda peixes, anfíbios, répteis, rochas, minerais e mamíferos, entre os quais figura o esqueleto de uma baleia-azul juvenil que deu à costa na Praia do Paraíso, em Matosinhos, em 1937, posteriormente doado à Universidade do Porto.

A exposição apresenta também algumas das doações mais curiosas recebidas nos últimos cem anos. Entre elas encontra-se uma coleção de aracnídeos do biólogo neerlandês Arie van der Meijden, dedicada sobretudo ao estudo dos escorpiões e das suas estratégias de defesa.

Os visitantes poderão ainda conhecer peças arqueológicas recolhidas em monumentos megalíticos de Carrazeda do Alvão, recipientes cerâmicos provenientes da Necrópole do Tanchoal, em Alpiarça, e uma vasta coleção de espécies neotropicais reunida pelo vice-cônsul do Brasil no Porto, José Teixeira da Silva Braga Júnior.

Outro dos destaques é uma rara bússola-pantómetro Wyssen, utilizada nos trabalhos de terraplanagem do campo de aviação de Mueda, no norte de Moçambique, entre 1961 e 1962.

Para Maria João Fonseca, diretora de Comunicação do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, também citada em comunicado, o festival constitui uma oportunidade para revelar ao público o trabalho realizado nos bastidores da instituição.

“O museu concentra coleções, nuns casos históricas, noutros casos mais recentes, das mais diversas tipologias e áreas do conhecimento”, refere.

A responsável acrescenta que “o Maravilhário irá mostrar aos visitantes a forma como está a ser preservado e estudado o material doado, ligando o trabalho de investigação ao ensino e à divulgação pública”.

Além das coleções científicas, a exposição integra também obras de arte e objetos etnográficos, incluindo a peça “Rei a cavalo”, da célebre ceramista portuguesa Rosa Ramalho, integrada numa coleção doada à Universidade do Porto em 2022.

  • Fonte: Rádio Renascença
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