Rutte: NATO 3.0 precisa de mais dinheiro, armas, e indústria

Rutte: NATO 3.0 precisa de mais dinheiro, armas, e indústria

  • 17/06/2026 07:14
  • Redação

É preciso mais de tudo para chegar à NATO 3.0: dinheiro, armas, e indústria. E, claro, mais Europa na Aliança Atlântica. Esta é a expectativa do secretário-geral da NATO que, esta quarta-feira, afirmou que a aliança depende demasiado dos Estados Unidos. Assim, é altura de Europa e Canadá assumirem novos papéis e responsabilidades.

"Historicamente, este modelo dependia excessivamente dos Estados Unidos. Agora, os Estados Unidos ajustaram as contribuições que tinham assumido e outros aliados reforçaram os seus contributos. Isto é justo. Torna-nos mais fortes. E é precisamente disso que trata a NATO 3.0: uma Europa mais forte numa NATO mais forte."

Rutte falava na sede da NATO, em Bruxelas, na véspera da reunião dos ministros de Defesa, a última antes da cimeira em Ancara, em julho.

A expressão já tinha sido usada em fevereiro, durante um encontro dos ministros da NATO, pelo subsecretário de Guerra dos EUA, Eldridge Colby. "O que é necessário é uma NATO 3.0", disse na altura, explicando que isso exigiria um esforço muito maior por parte dos aliados dos Estados Unidos.

Durante a sua intervenção, Rutte dirigiu ainda elogios a Donald Trump e ao acordo de cessar-fogo que o Presidente norte-americano conseguiu alcançar com o Irão. De resto, negou que haja qualquer quebra de entendimento entre os aliados ou que os norte-americanos estejam de saída da aliança.

O secretário-geral disse mesmo que os demais estados estão prontos para reforçar o investimento em defesa e que "os aliados europeus e o Canadá estão preparados, disponíveis e são capazes de fazer mais".

"É essencial que a Europa e o Canadá façam mais no domínio convencional, reconhecendo que os Estados Unidos têm obrigações à escala global que precisam de cumprir", argumentou Rutte, explicando que com esta mudança de posição também os norte-americanos ajustaram os seus compromissos no âmbito do Modelo de Forças da NATO.

E isto, acrescentou, nada tem a ver com a localização atual das forças e dos meios militares, mas antes com "a definição de quem faria o quê caso os planos de defesa fossem ativados".

Na reunião de quinta-feira, os aliados irão exatamente demonstrar os progressos realizados naquilo que Rutte chamou de construção de uma Europa mais forte. "Precisamos de mais forças, mais recursos e de uma base industrial muito mais robusta. Isso implica aumentos constantes do investimento em defesa e uma partilha mais justa das responsabilidades pela nossa segurança coletiva."

Rutte fez ainda um apanhado dos avanços em investimento em Defesa. "Os números são claros. Em 2025 assistimos a um aumento massivo do investimento em defesa, com os aliados europeus e o Canadá a aumentarem os seus investimentos centrais em defesa em mais de 90 mil milhões de dólares. Trata-se de um valor impressionante, correspondente a um aumento de quase 20% num único ano."

Graças a estes investimento, os aliados europeus e o Canadá estão mais capacitados e assumem uma maior responsabilidade na aliança, argumentou Rutte. "Isso inclui a ocupação de mais cargos de liderança nas estruturas militares da NATO, bem como uma maior contribuição para aquilo de que a Aliança poderá necessitar para dissuadir ameaças em tempo de paz e defender-se em situação de crise ou conflito."

Em seguida, Rutte quis mostrar que a decisão dos Estados Unidos de reduzir as contribuições para o Modelo de Forças da NATO pode ser visto como um copo meio cheio. "Em alguns casos, isso foi apresentado como um problema, como se os Estados Unidos estivessem a afastar-se dos seus aliados. Mas essa não é a realidade. Os Estados Unidos deixaram claro que continuam comprometidos com a NATO."

Além disso, garantiu o secretário-geral, "os Estados Unidos também deixaram claro que a sua dissuasão nuclear continua sólida."

Sobre a indústria, Rutte disse que "não é apenas o dinheiro que importa", mas também garantir que "os nossos homens e mulheres dispõem dos meios necessários para nos manterem seguros". Assim, aumentar o investimento em defesa tem de andar de mão dadas com o aumento da produção na indústria de defesa. "E precisamos disso em toda a Aliança, dos dois lados do Atlântico."

Por último, recordou que o ambiente de segurança está a evoluir e a NATO tem de acompanhá-lo, aproveitando o potencial da inovação. "Estamos a trabalhar em estreita colaboração com a indústria para garantir que a oferta acompanha a procura, assegurando que esta Aliança mantém a sua vantagem tecnológica."

Mark Rutte não terminou sem falar na Ucrânia, lembrando que a guerra da Rússia já vai no seu quinto ano e "continuar a apoiar a Ucrânia permanece uma prioridade".

"A Ucrânia está a demonstrar que a máquina de guerra russa não é imparável e está a alterar a dinâmica no campo de batalha", defendeu o secretário-geral da NATO, dizendo que mesmo depois de os aliados já terem fornecido milhares de milhões em artilharia, munições e ajuda, "é fundamental manter esse apoio para ajudar a Ucrânia a preservar a sua vantagem" — mensagem que levará à reunião do Grupo de Contacto para a Defesa da Ucrânia.

  • Fonte: Rádio Renascença
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