Morte de Odair Moniz: "Cadeia de comando pode ter falhado", admite MAI

Morte de Odair Moniz: "Cadeia de comando pode ter falhado", admite MAI

  • 17/06/2026 08:44
  • Redação

Na semana em que foi divulgada a sentença do julgamento sobre a morte de Odair Moniz, com o tribunal a optar pela pena suspensa do polícia que atirou no cabo-verdiano, o ministro da Administração Interna admitiu, em audição no Parlamento, que "há uma questão de cadeia de comando que pode ter falhado e que tem de ser avaliada".

Luís Neves não manifestou qualquer opinião pela sentença, mas referiu ser "evidente" que "temos de distinguir situações de risco em que o agente policial procura fazer bem e tem um ato que leva a um desfecho trágico", referindo que essas, "naturalmente, são situações marginais".

O governante garante que "qualquer elemento policial que, com coragem e brio, procure cumprir a sua missão e que algo lhe corra mal" terá o seu "entendimento naquilo que for possível". Pelo contrário, "todo o agente policial que ponha em causa a dignidade da pessoa humana de forma dolosa, reiterada, minta, falsifique, sobretudo, para escamotear a verdade que deve presidir, não terá o meu beneplácito", garantiu.

O Ministério Público vai recorrer da condenação de três anos e seis meses de pena suspensa do polícia que matou Odair Moniz na Cova da Moura, Amadora, disse esta quarta-feira a Procuradoria-geral da República (PGR). Em resposta enviada à Lusa, a PGR adiantou que "o Ministério Público vai interpor recurso" da decisão lida na segunda-feira, no Tribunal de Sintra, que aplicou uma pena suspensa de três anos e seis meses pelo crime de homicídio que aconteceu em outubro de 2024.

De acordo com o acórdão a que a Lusa teve acesso, o coletivo liderado pela juíza Ana Sequeira entendeu que o agente Bruno Pinto não agiu por preconceito, afastando a hipótese de crime de ódio e que o polícia quis apenas "concretizar uma detenção legítima" e que, no momento em que Odair Moniz foi alvejado por dois tiros disparados pelo agente, este apenas quis garantir a "proteção de uma agressão atual e ilícita" por parte da vítima.

  • Fonte: Rádio Renascença
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