E, de repente, "vimos um navio de guerra". Britânicos recordam encontro com fragata russa
- 17/06/2026 09:28
- Redação
O AIS — Sistema de Identificação Automática é uma espécie de farol digital: permite partilhar, em tempo real, nome, posição, velocidade, rumo e destino com outras embarcações.
"Estávamos simplesmente no nosso rumo, na nossa vida. O navio estava obviamente consciente de quem nós éramos.” Alan Kelvey garante que não havia sequer perigo de colisão. “Não, absolutamente não. Eu via-o ao longe. Estava simplesmente a seguir o meu rumo. E, sendo um veleiro em navegação à vela, tenho prioridade. Ele não apresentava nada que indicasse que estivesse em dificuldades.”
Depois disso, segundo as autoridades russas, o iate alterou a rota e afastou-se. Os tiros terão sido disparados, alega o ministério russo, depois de várias tentativas falhadas de estabelecer contacto por rádio e depois de lançar sinais luminosos de advertência. Tudo no "estrito respeito" do regulamento marítimo internacional.
Alan Kelvey conta uma história diferente. “Estão a tentar encerrar a história, dizendo que havia nevoeiro e que estavam a lançar sinalizadores. Isso é mentira. Não vimos quaisquer sinalizadores. Normalmente fazem-se ouvir e vêem-se. Não foi um problema de nevoeiro. Víamos o navio com clareza. Ele também nos via claramente.”
“O navio de guerra emitiu cinco toques de buzina, o que significa: ‘Viram-nos?’”, contou a britânica. "Viramos imediatamente dois graus para bombordo para que percebessem que tínhamos alterado deliberadamente o rumo, mostrando que os tínhamos visto. Cerca de um minuto depois, voltaram a emitir cinco toques de buzina, imediatamente seguidos de quatro ou cinco disparos de armas ligeiras.”
Jane Kelvey conta que os tiros não foram dirigidos à sua embarcação, mas que foram disparos de advertência para o ar.
Depois disto, recorda que usaram o motor da embarcação para alterar o rumo do iate em 90 graus para bombordo.
O incidente aconteceu depois de no domingo, 14 de junho, as forças armadas britânicas terem intercetado um petroleiro russo que atravessava o Canal da Mancha. O Ministério da Defesa britânico precisou que o Smyrtos faz parte da frota fantasma de 700 navios que a Rússia usa para exportar 75% do seu petróleo e derivados.