Em modo mundial, Montenegro desafia Parlamento a "arriscar" e aprovar reforma laboral e PSU
- 17/06/2026 08:56
- Redação
"Temos de premiar o trabalho e o mérito", afirma Montenegro, que para isso, diz, "temos de transformar Portugal". A nota introdutória serviu para apontar para o que vai ser debatido esta quinta-feira no Parlamento: a reforma laboral.
Luís Montenegro está esta quarta-feira ao Parlamento para garantir que a proposta do Governo "melhora a conciliação entre a vida pessoal e o trabalho" e desafia o Parlamento.
"Os deputados decidirão se querem ficar do lado da ambição e valorização do trabalho ou do lado do imobilismo e da mediania", pica o primeiro-ministro.
A sessão está a ser presidida por Teresa Morais, vice-presidente da Assembleia da República, uma vez que José Pedro Aguiar-Branco está nos Estados Unidos para assistir à estreia da seleção portuguesa no Mundial 2026, esta tarde contra a República Democrática do Congo.
Montenegro aproveitou para falar sobre o futebol para garantir que o país precisa de "ousar e arriscar" para "fazer a diferença e transformar Portugal".
O primeiro-ministro aproveitou para matar dois coelhos com uma cajadada só e trouxe o tema da prestação social única para o debate no Parlamento: "É uma proposta que quebra a armadilha da pobreza", defende.
O primeiro-ministro começou com um cumprimento especial à comunidade escolar em época de exames no ensino secundário.
No dia em que o país assinala 9 anos desde a tragédia de Pedrõgão Grande, o primeiro-ministro assume que as tempestades de fevereiro dificultam a prevenção de incêndios.
O líder do Chega, André Ventura, usa agora da palavra para falar da reforma laboral e retoma o caderno de encargos de que vem falando para viabilizar a proposta do Governo.
"Está disponível para corrigir coisas em áreas fundamentais como a amamentação? Está ou não disponível para garantir que os avós para introduzir a licença dos avós? Está disponível para valorizar quem trabalha por turnos?”, questionou o líder do Chega.
“Queremos dar o passo: se acabaram com as restrições da Troika devemos conseguir fazer com que o tempo de férias passe de novo para os 25 dias de férias”, acrescentou o líder do Chega, considerando que estes são “temas centrais”.
Nesta intervenção, Ventura recordou ainda a passagem dos 9 anos sobre os incêndios de Pedrogão. “Hoje devíamos homenagear os que fizeram tudo para que não voltasse a acontecer”, disse o líder do Chega.
Sobre os convites aos deputados da Federação Portuguesa de Futebol para assistorem aos jogos da seleção nacional no Mundial dos Estados Unidos, Ventura propôs que esses bilhetes possam ser oferecidos, por exemplo, ao IPO e às crianças internadas nesta instituição.
Na resposta ao líder do Chega, Luís Montenegro lembra que na reforma laboral a "palavra final é sempre dos deputados", depois de falar sobre a falha de entendimento na concertação social.
"Da parte do Governo há disponibilidade para podermos afinar, concertar e enriquecer a prosta que apresentámos com os contributos dos partidos", afirma o primeiro-ministro.
Para a esquerda, o chefe do Governo lança a farpa: "Quem não tem disponibilidade é o PS, o Livre, o PCP".
André Ventura volta a intervir e dá o troco aos apartes da bancada socialista: "A reação do PS é curiosa, está a esbracejar", diz o líder do Chega aconselhando o secretário-geral José Luís Carneiro de "em vez de andar a dizer pelo país coisas sem sentido, isto era o que devia fazer. O PS escreveu zero" sobre alterações à reforma laboral.
"Ficar aí a atirar postas de pescada e anunciar a reunião com um grupo de economistas a dois dias do debate e quem é que escolhem? O Mário Centeno, que se reformou aos 59 anos", atirou ainda Ventura à bancada do PS.
Dirigindo-se ao PM, Ventura falou ainda da necessidade de o Governo olhar para os empresários, as pessoas que "são o lado fundamental da reforma, que é quem investe", pedindo que o Estado "não lhes esteja estar sempre a pedir mais Segurança Social e distribuir por quem não quer fazer nada".
Falando depois da PSU, Ventura diz que "quem nunca contrinuiu em Portugal não deve ter direito à prestação. Não encontro um português lá fora que tenha ido para receber subsídios. Não podemos +edir a pais e mães com filhos doentes que esses tenham que trabalhar e a outros que são minorias tenham tudo de graça por parte do Estado". Sobre esta matéria, Ventura diz ao PS: "Não passarão"
O PS entra agora no debate, mas José Luís Carneiro mantém-se sentado na bancada e dá a vez a António Mendonça Mendes que acusa o Governo de "insensibilidade" por não descer o imposto sobre os combustíveis, face ao aumento do preço.
O PS volta à carga, desta vez com a intervenção da ex-ministra Mariana Vieira da Silva que pede contas sobre o plano de emergência da Saúde, acusando o Governo de "dar como cumpridas as medidas, mas os resultados são piores do que quando iniciou o plano. Menos médicos de família do que há um ano, menos cirurgias oncológicas do que há um ano".
Usando da ironia, Mariana Vieira da Silva esboçou o cenário de um primeiro-ministro a "sair da doca de Belém em direção a Aveiro. Depois de navegar dia e meio, manifesta-se muito satisfeito com o plano de emergência, apesar de não ter chegado a Aveiro, mas à doca de Alcântara", acusando depois o Governo de ter desistido do plano de emergência. "O que vai o Governo fazer para diminuir as listas de espera?", questionou.