Foi interrogado 7h quando chegou aos EUA. No Iraque perdeu pai e irmão para o terror: esta é a história de Aymen Hussein

Foi interrogado 7h quando chegou aos EUA. No Iraque perdeu pai e irmão para o terror: esta é a história de Aymen Hussein

  • 17/06/2026 11:42
  • Redação

Interrogado durante sete horas antes de poder entrar nos EUA. Foi assim que começou a viagem de Aymen Hussein ao Mundial de 2026, em solo norte-americano. O avançado de 30 anos ficou retido no aeroporto de Chicago, sujeito a um longo interrogatório pelas autoridades de imigração, antes de finalmente ser autorizado a entrar.

Frente à Noruega, Aymen Hussein subiu mais alto do que todos e marcou o golo do Iraque. Um golo curto na duração, mas longo no significado. O resultado final acabou por sorrir aos noruegueses (4-1), mas o momento do avançado iraquiano resistiu ao desfecho.

Hussein é hoje uma das figuras centrais da seleção do Iraque, um país que regressou ao Campeonato do Mundo depois de décadas de ausência (três derrotas em 1986, a única participação).

Mas a sua trajetória vai muito além do relvado. Nascido em Kirkuk, cresceu num contexto marcado pela instabilidade e pela violência que atravessou o Iraque durante grande parte da sua infância e adolescência. A vida familiar foi profundamente atingida pelo conflito.

O pai, militar, foi assassinado em 2008 pela Al Qaeda, depois de recusar ceder a ameaças. Aymen Hussein tinha apenas 12 anos.

Anos mais tarde, a família voltaria a ser confrontada com outro desaparecimento doloroso, o do irmão, raptado pelo Estado Islâmico e nunca mais visto. Entre perdas e incertezas, o futebol acabou por surgir como refúgio.

Ainda assim a carreira esteve em risco. Desgostoso pelas tragédias que o assolaram, pensou em desistir do futebol mas foi a sua mãe que o impediu de atirar a toalha ao chão, insistindo que perseguisse o sonho de levar o Iraque ao Mundial.

Foi por campos modestos do norte do Iraque que começou a construir o seu caminho, antes de uma carreira marcada por passagens em vários países do Médio Oriente e do Norte de África. Entre mudanças constantes, clubes diferentes e contextos instáveis, manteve sempre uma constante: os golos. Na seleção (34 golos em 96 jogos), transformou-se num símbolo.

Mais do que um avançado, Aymen Hussein tornou-se a imagem de um Iraque que tenta reconstruir-se também através do futebol, carregando consigo uma geração que devolveu o país ao maior palco do jogo.

  • Fonte: Rádio Renascença
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